Os desafios da tradução de “Roça Barroca”, de Josely Vianna Baptista, para o sueco

Publicação original Página da FBN.

A tradutora e poeta sueca Ulla Gabrielsson é uma das tradutoras contempladas pelo edital “Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, edição 2018-2020”. Por meio da chamada pública, editoras estrangeiras são convidadas a apresentar projetos de tradução de autores brasileiros para outros idiomas, promovendo a divulgação e difusão da cultura nacional em diversas partes do mundo.

A tradutora e poeta sueca Ulla M. Gabrielsson é um das tradutoras contempladas pelo edital “Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, edição 2018-2020”.

Ulla M. Gabrielsson é uma das tradutoras contempladas pelo edital “Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, edição 2018-2020”.

 

Ulla está envolvida na tradução da obra Roça Barroca, que por sua vez é o produto de uma tradução realizada por Josely Vianna Baptista do guarani para o português. Envolvida em uma empreitada que se poderia chamar minimamente de ‘desafiadora’, Ulla Gabrielsson fala ao portal da Biblioteca Nacional sobre o trabalho realizado até aqui, sua experiência de campo e todo o aprendizado conquistado até agora nessa empreitada.

Como surgiu a ideia de traduzir a obra Roça Barroca em questão?

Surgiu por um acaso, que se transformou em sincronicidade. Descobri a obra artística de Francisco Faria e a poesia de Josely Vianna Baptista em 2009-2010 quando estava morando no Brasil entre Rio e Florianópolis.

Abrindo o Jornal do Brasil, em um dia de primavera no Rio de Janeiro, em setembro de 2009, me deparei com os desenhos de Francisco Faria.  Ele estava expondo sua obra no Largo de Carioca. Os desenhos tinham um ar enigmático que tinham correspondência com o meu imaginário de paisagens do Brasil. Logo em seguida, descobri a poesia de Josely, já que os dois colaboravam artisticamente.

O acaso se transformou em uma “coincidência significativa”, o que para mim é sinal de verdadeira sincronicidade (conceito desenvolvido por Carl Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado).

Em 2010 li os poemas de Josely na Internet, com um sentimento de reverência e afinidade. Na época, porém, não consegui localizá-la, embora tenha tentado.

Quatro anos depois, em 2014, Birgitta Wallin, editora-chefe de Karavan, uma revista literária sueca, me procurou pedindo um ensaio sobre poesia feminina do Brasil. Eu queria escrever sobre a obra de Josely. Eu já estava morando em Cambridge, na Inglaterra, quando finalmente localizei a Josely. Descobri que ela estava morando em Campeche, Florianópolis, a menos de um quilômetro da minha antiga casa. Fomos vizinhas durante um ano e meio sem saber!

Minha entrevista com a Josely girava em torno do seu livro Roça Barroca, que tinha sido  publicado em 2011. Desde então estamos procurando formas de colaborar. E finalmente, em 2018, conseguimos elaborar um projeto que redundou em uma bolsa de tradução da Fundação Biblioteca Nacional.

O projeto partiu de uma iniciativa ou interesse pessoal seu, ou da editora?

Partiu de uma afinidade artística: somos ambas poetas e tradutoras, Josely e eu.

A primeira tradução da poesia de Josely que fiz foi Dois rios, do seu livro Ar (1991). A primeira linha chove forte tem quatro sílabas. Virou slagregn faller em sueco. Slagregn significa uma chuva forte, que bate.

Um exemplo de uma tradução, onde o som da chuva caindo foi mantido (de alguma forma).

A forma nebulosa da imagem gráfica dos poemas me encantou, pois inspirava uma leitura pausada e meditativa [vide ilustração associada a esta publicação].

O mesmo encanto surgiu gentilmente quando li pela primeira vez Poema Sujo, de Ferreira Gullar, em 1981. Foi um sentimento imediato. Mas demorei 20 anos para traduzir Poema Sujo, que foi lançado em sueco em 2004 pela Tranan.

A motivação e a necessidade de traduzir partiu do imaginário das paisagens do Brasil, tão presentes nos cantos sagrados indígena Mbyá-Guarani, na poesia de Josely e nas imagens de Francisco Faria.

Tentar traduzir Roça Barroca partiu da minha vontade de compartilhar (com os leitores na Suécia) um outro imaginário da natureza e da Terra, que se tornou urgente nas circunstâncias de hoje. Vivemos numa época assustadora de desmatamento e extinção das espécies.

O livro Roça Barroca é ele mesmo produto de tradução de Josely Vianna Baptista de um texto original da tribo Mbyá-Guarani para o português. O seu trabalho de alguma maneira envolve explorações ou pesquisas diretamente no original guarani?

Traduzir uma tradução de uma língua que desconhecemos significa um desafio. Felizmente o livro inclui comentários detalhado sobre os termos em guarani escritos por Josely durante sua pesquisa.

Posso conferir cada termo e as dúvidas que existem sobre sua tradução. Além disto, estou aprendendo palavras de uma língua desconhecida, que os leitores suecos também vão conhecer, já que este é um livro bilingue, em sueco-mbyá-guarani.

Mbyá-guarani, língua falada por 6000 pessoas no Brasil, foi reconhecida como bem imaterial pelo Iphan/MinC e como patrimonio nacional em 2011.

Traduzir uma tradução provavelmente seria proibido, se tivéssemos um código civil de tradução. Porém, nós temos a licença poética. Decidi seguir a filosofia estoica de “pessimista feliz”. Se consigo passar uma ideia do conteúdo dos cantos (que nunca foram publicados em sueco), o projeto já é um imenso sucesso.

Há algum aspecto que você gostaria de mencionar em torno da obra, dessa tradução particularmente, ou desafios em relação à linguagem, estilo, construção das frases ou tipo de narrativa?

Eu leio com atenção os comentários sobre os termos essenciais em guarani, por exemplo. Estou pesquisando a origem da língua guarani e ouvindo os cantos.

Em guarani Ñe’êy significa palavra-alma original. Para mim o livro celebra o conceito de-palavra-alma dos Mbyá-Guarani.

Algo que cabe mencionar é a riqueza do livro Roça Barroca. Trata-se de uma obra híbrida que contém três textos essenciais de Augusto Roa Bastos, Francisco Faria e Josely Vianna Baptista, além da tradução dos Três cantos sagrados do Mbyá-Guarani de Guairá e os poemas de Josely em Moradas Nômades.

No seu diário de tradução, você menciona o desafio de traduzir o nome de um pássaro do inglês para o português: “imaginem traduzir para português uma canção com o robin no refrão? Sim, claro, tem variantes do nome: piscopintarroxopapo-ruivo ou papo-roxo, mas nada soa como robin. Qualquer tradução perde o som original”. Existe algum desafio adicional quando se traduz poesia, em que aspectos como rima, métrica e sonoridade das palavras têm maior relevância?

Sim, em poesia o ritmo e métrica é essencial. Como não é possível traduzir rima, é preciso optar por criar novas rimas ou excluir as rimas em nome do significado lexical. Como no exemplo acima do robin ou pintarroxo, os pássaros têm tantos nomes. Um exemplo dos dilemas é a tradução do verso sobre a coruja, em guarani urukure’a:

Em guarani: Pytû ja, Urukure’a* i.
Em português: O nume do escuro é o murucutu**.
Em sueco: Mörkret är ugglans tid, urucuaria***.

*Em guarani urukure’a (Speotyto cunicularia grallaria ou Athene cunicularia grallaria)
**Em português murucutu ((Pulsatriz koeniswaldiana)
***Em sueco prärieuggla (Athene cunicularia grallaria)

Optei pelo nome genérico em sueco: uggla, seguido pelo nome em guarani, para conseguir um pouco da tonalidade u-u-u do original.

Escolhas têm que ser feitas, perdendo e ganhando sentido e som. Ferreira Gullar me disse uma vez que as espécies dos pássaros que voam nas paginas no Poema Sujo não seriam tão importantes. Gullar até fala do pássaro-pássaro, uma espécie de essência de ave. O ave-em-si?

Leia aqui o diário de tradução que Ulla preparou a pedido da FBN.

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Edital de Apoio à Tradução 2018-2020

A Fundação Biblioteca Nacional lançou o Edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior para o período 2018-2020.

O programa contempla editoras estrangeiras que desejam traduzir e publicar obras de autores brasileiros.

São previstas cinco rodadas de avaliação até setembro de 2020:

  • 1ª: setembro 2018, recebimento de inscrições até 13/08/2018
  • 2ª: abril 2019, recebimento de inscrições até 14/03/2019
  • 3ª: setembro 2019, recebimento de inscrições até 14/08/2019
  • 4ª: abril 2020, recebimento de inscrições até 16/03/2020
  • 5ª: setembro 2020, recebimento de inscrições até 12/08/2020

Edital e formulários de inscrição estão disponíveis na página da FBN.

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Escrita e tradução em debate e Bloomsday in Rio

Na próxima semana, a tradução e os diversos ângulos que o tema permite estarão em pauta em uma série de mesas e debates.

No dia 13 de junho, às 16h, a Fundação Biblioteca Nacional  e o Programa MFA of the Americas (Master of Fine Arts of the Americas – Stetson University, Florida – EUA) promoverão o encontro Escrita e tradução em debate, com Ana Paula Maia e Alexandra Joy Forman. A escritora carioca conversará com a tradutora e pesquisadora norte-americana sobre as perdas, transformações e negociações envolvidas nos processos de escrita e tradução. A conversa será mediada por Teresa Carmody, escritora e diretora do MFA.

Alexandra Joy Forman traduziu a trilogia Saga of Brutes (Dalkey Archive Press, 2016), reunião das novelas Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, O trabalho sujo dos outros Carvão animal.

Saiba mais sobre o encontro e as participantes.

Na mesma quarta-feira, 13 junho, às 14h30,  a UFF celebrará o Bloomsday  com uma palestra da professora Dirce Waltrick do Amarante e participação do músico Alex Navar.

Já na quinta-feira, 14 de junho, será a vez do Bloomsday na Faculade de Letras da UFRJ, que, em seguida, promoverá a II Jornada de Tradução. Veja a programação completa.

Data, hora e endereço:

Escrita e tradução em debate, com Ana Paula Maia e Alexandra Joy Forman
Quarta-feira, 13 de junho, 16h
Auditório Machado de Assis, Biblioteca Nacional, Rua México, s/n, acesso pelo jardim,
Rio de Janeiro

Bloomsday in Rio
Quarta-feira, 13 de junho, 14h30
Bloco A, sala 406, Campus Gragoatá, Universidade Federal Fluminense, Niterói

Bloomsday in Rio & II Jornada de Tradução
Quinta-feira, 14 de junho, 9h30 às 22h00
Auditório Mattoso Câmara (F-329), Faculdade de Letras da UFRJ, Rio de Janeiro

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Nelson Rodrigues | Dezembro, 1980

1980, 22 de dezembro, capa do Jornal do Brasil, uma caricatura e dois parágrafos que dão notícias do falecimento de Nelson Rodrigues. O escritor,  jornalista e dramaturgo morrera um dia antes, de insuficiência vascular cerebral. Depois de sete paradas cardíacas e a implantação, “como último recurso”, de um marca-passo, o jornal relata como se buscasse emular o estilo do autor em suas crônicas sobre futebol ou descrevesse uma cena de suas tragédias cariocas.

A edição do jornal pode ser consultada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional: http://memoria.bn.br/DocReader/030015_10/18056.

Peças, crônicas e a ficção de Nelson Rodrigues já foram traduzidas para o alemão, coreano, espanhol, francês, inglês, hebraico, italiano e polonês. Neste fim de dezembro, com a passagem dos 37 anos de sua morte, destacamos as  obras do autor publicadas recentemente no exterior com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional |Ministério da Cultura.

Capas_Nelson

Da esquerda para a direita:

הנשיקה על האספלט [O beijo no asfalto], traduzido por Tal Goldfajn. Ramat HaSharon: Asia, 2015.

Abito da esposa – Doroteia [Vestido de noiva & Doroteia], traduzido por Briana Zaki e Guilermo Pivari. Bolonha: I Libri di Emil, 2014.

La Défunte (suivi de) Pardonne-moi de me trahir  [A falecida & Perdoa-me por me traíres], traduzido por Angela Leite Lopes, Alexandra Moreira da Silva, Thomas Quillardet, Marie-Amélie Robilliard. Besançon: Les Solitaires Intempestifs, 2017.

O homem fatal [Seleção de crônicas a partir de “O óbvio ululante”, “A cabra vadia e “O reacionário”]. Seleção e prefácio de Pedro Mexia. Lisboa: Tinta da China, 2016.

A vida como ela é… . Seleção e prefácio de Abel Barros Baptista. Lisboa: Tinta da China, 2016.

O casamento. Lisboa: Tinta da China, 2017.

La vida tal cual es, 1 e 2

 

 

La vida tal cual es [A vida como ela é], traduzido por Cristian de Nápoli*. Buenos Aires: Adriana Hidalgo, 2012 (volume I) e 2014 (volume II).

 

 

* O tradutor Cristian de Nápoli participou do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil 2012/2013  com o projeto de tradução de uma seleção de contos da série “A vida como ela é”.

∗ ∗ ∗

Nelson Rodrigues (Recife-PE, 23/08/1912– Rio de Janeiro-RJ, 21/12/1980)

Verbete extraído do Guia conciso de autores brasileiros = Brazilian Authors Concise Guide, organizado por Alberto Pucheu e Caio Meira, versão inglesa realizada por Ernesto Lima Veras e Mariézer da Silveira e Sá | Fundação Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2002.

Apesar de ele ter dito que toda unanimidade é burra [uma de suas inúmeras frases antológicas], não resta a menor dúvida de que Nelson Rodrigues é uma das mais inteligentes do país. Esse jornalista, que transformou as páginas futebolísticas em verdadeiro épico nacional, as crônicas diárias em manifestações do ser do temperamento brasileiro e suas próprias memórias em um drama envolvente e desconcertante, causou a maior revolução no teatro nacional, levando-o, pela primeira vez, a uma dimensão a um só tempo cosmopolita, universal e contemporânea. Introduzindo inúmeras inovações capazes de surpreender a crítica e o público, sua linguagem coloquial chocou os beletristas da época. Com grande coesão temática e estrutural, além de um amplo espectro de questões existenciais, sua dramaturgia foi dividida em três grupos: o mítico, o psicológico e o das tragédias cariocas. Por entre peças, contos, romances e crônicas, o escritor nos legou um elenco de frases e personagens cravados na memória brasileira como arquétipos dos abismos da condição humana.

=

In spite of having said that all that is unanimous is stupid [one of his many anthological sentences], Nelson Rodrigues is doubtlessly one of the most brilliant unanimity in the country. As a journalist, he changed the soccer pages into true national epic, his daily column into manifestations of the Brazilian people’s innermost temperament, and his own memoirs into an involving and disconcerting drama. He brought about the deepest revolution ever in the national dramaturgy, leading it, for the first time, to a dimension that was at the same time cosmopolitan, universal and contemporary. By introducing a number of innovations capable to take both the critic and the audience aback, his colloquial language shocked the belletrists of his time. Showing a cogent thematic and structural cohesion, besides a wide spectrum of existential themes, his dramaturgy was divided into three categories: the mythical, the psychological and the carioca tragedies. Permeating his plays, stories, novels and newspaper columns, the writer bequeathed a collection of sentences and characters that remained nailed to the Brazilian memory like archetypes of the human condition abysses.

 

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Nelson Rodrigues em 1949. Foto Carlos. Cedoc/Funarte.

 

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A volta ao mundo em 20 capas de Clarice

No dia 10 de dezembro, data de nascimento de Clarice Lispector (1920-1977), celebra-se a Hora de Clarice. Uma série de eventos acontecerão no país e no exterior com o objetivo de lembrar e festejar a obra da escritora. Veja a programação em www.horadeclarice.ims.com.br / #HoraDeClarice .

Aproveitamos a ocasião para destacar a obra de Clarice em 20 capas de edições estrangeiras de seus livros ao redor do mundo.

Capas Clarice 1

 

 

Da esquerda para a direita:

De ontdekking van de wereld [A descoberta do mundo], traduzido por Harrie Lemmens. Amsterdã: Uitgeverij De Arbeiderspers, 2016.

The Complete Stories [Todos os contos], traduzido por Katrina Dodson. Nova York: New Directions, 2015.

Një frymëmarrje jete & Pasioni sipas G.H. [Um sopro de vida & A paixão segundo G.H.], traduzido por Ermira Danaj. Tirana: Ombra GVG, 2016.

Familjeband [Laços de família], traduzido por Örjan Sjögren, Marianne Eyre e Arne Lundgren. Estocolmo: Bokförlaget Tranan, 2012.

A Breath of Life [Um sopro de vida], traduzido por Johnny Lorenz. Nova York: New Directions, 2012.

La manzana en lo oscuro [A maçã no escuro],  traduzido por Teresa Arijón e Bárbara Belloc. Buenos Aires: El Cuenco de Plata, 2012.

星辰时刻 Xing chen shi ke [A hora da estrela], traduzido por Min Xuefei. Xangai: Shanghai wen yi chu ban she, 2013.

Η ώρα του αστεριού [A hora da estrela], traduzido por Marios Chatziprokopiou.  Atenas: Antipodes, 2016.

Zvjezdani trenutak [A hora da estrela], traduzido por Dean Trdak. Zagreb: Naklada Ljevak, 2013.

The Passion According to G.H. [A paixão segundo G.H.], traduzido por Idra Novey. Nova York: New Directions, 2012.

Capas Clarice 2

Da esquerda para a direita:

Água viva, traduzido por Tine Lykke Prado. Copenhague: Forlaget Arena, 2015.

Metsiku südame ligi [Perto do coração selvagem], traduzido por Riina Roasto. Tartu, 2016.

Un aprendizaje o el libro de los placeres [Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres], traduzido por Rosario Hubert. Buenos Aires: 2011.

Der Lüster [O lustre], traduzido por Luis Ruby. Frankfurt am Main: Schöffling & Co., 2013.

Un soplo de vida, traduzido por Mario Merlino. Madri: Siruela, 2003.

Wo warst du in der Nacht [Onde estivestes de noite], traduzido por Sarita Brandt. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1996.

Aproape de inima vijelioasă a lumii [Perto do coração selvagem], traduzido por Dan Munteanu Colan. Bucareste: Editura Univers, 2014.

Das Geheimnis des denkenden Hasen und andere Geschichten [O mistério do coelho pensante e outras histórias], traduzido por Marlen Eckl. Berlim: Hentrich & Hentrich, 2013.

Quase de verdade. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 2013.

La vida íntima de Laura, traduzido por Paola Monti. Santiago: LOM Ediciones, 2001.

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Quadrinhos brasileiros na França e na Alemanha

Acaba de sair na França a versão em quadrinhos do clássico brasileiro O Ateneu, de Raul Pompeia. A obra do quadrinista Marcello Quintanilha, que também adaptou o texto original, foi publicada pela Éditions çà et là com tradução de Dominique Nédellec, tradutor de João Paulo Cuenca, Michel Laub e Vanessa Bárbara entre outros. L’Athénée* é a quarta obra de Quintanilha lançada pela editora dedicada à publicação de quadrinhos estrangeiros. Tungstène valeu ao autor o prêmio Polar SNCF , melhor história policial, do Festival de Angoulême 2016.

l'athénée     cumbe

Por lá também saiu Cumbe, de Marcelo D’Salete (trad. de Christine Zonzon et Marie Zéni), reunião de quatro histórias que retratam a resistência de escravos no período colonial brasileiro. Run For It, a edição norte-americana pela Fantagraphics, será lançada em breve. No começo deste ano foi a vez da versão em alemão* realizada pela austríaca Bahoe Books, com tradução de Lea Hübner (também tradutora de Tungstênio, de Quintanilha).

D’Salete, Quintanilha e Santolouco finalistas da Rudolph Dirks Award

D’Salete e Quintanilha são finalistas na categoria Melhor Roteiro/América do Sul da Rudolph Dirks Award por CumbeTungstênio*, da avant-verlag. A premiação destaca os principais artistas e publicações do universo de literatura gráfica lançados no mercado de língua alemã. Os vencedores das mais de 30 categorias são conhecidos anualmente na Comic Con alemã, que em 2017 acontecerá nos dias 9 e 10 de dezembro na cidade de Dortmund. O terceiro finalista é o lendário chileno Alejandro Jodorowsky, por Die Söhne von El Topo (Los Hijos del Topo), editora Panini.

Com Tungstênio, Quintanilha é também finalista em outras duas categorias: Melhor Arte/América do Sul, ao lado do compatriota Mateus Santolouco, por Teenage Mutant Ninja Turtles (Panini) e do argentino Eduardo Risso, por Dark Night: Eine wahre Batman-Geschichte / Dark Knight: a True Batman Story (Panini); e Melhor Publicação de  Crime/Thriller/ Spy, com a dupla francesa Stéphane Oiry e Lewis Trondheim, por Maggy Garrisson (Schreiber & Leser), e o alemão Arne Jysch, por Der nasse Fisch (Carlsen), adaptação do romance de Volker Kutscher.

 

*Obras publicadas com apoio do Ministério da Cultura do Brasil / Fundação Biblioteca Nacional:

L’Athénée, Marcello Quintanilha (roteiro e arte) a partir do romance O Ateneu, de Raul Pompeia, traduzido por Dominique Nédellec. Bussy-Saint-Georges: Éditions çà et là, 2017.
Edição original: O Ateneu, Ática, 2012.

Cumbe, Marcelo D’Salete (roteiro e arte), traduzido por Lea Hübner. Viena: Bahoe Books, 2017.
Edição original: Cumbe, Veneta, 2014

Tungstênio, Marcello Quintanilha (roteiro e arte), traduzido por Lea Hübner. Berlim: avant-verlag, 2017.
Edição original: Tungstênio, Veneta, 2014.

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Lugares da tradução

A Fundação Biblioteca Nacional e a Universidade Federal Fluminense lançaram recentemente o livro Os lugares da tradução.

O objetivo da publicação é registrar os esforços direcionados pelas duas instituições em favor da valorização do ofício do tradutor literário e da reflexão teórica sobre o tema da tradução em diferentes perspectivas.

A primeira parte do livro concentra artigos originados de comunicações e debates promovidos nos colóquios Intermediações Culturais (2012, 2013 e 2014) e A Formação do Tradutor (2013), organizados pela FBN e pelo Instituto Letras da UFF em parceria com outras instituições brasileiras e estrangeiras, bem como relatórios de três oficinas de tradução.

A segunda parte apresenta os depoimentos de doze tradutores de oito nacionalidades diferentes, participantes do primeiro Edital de Residência de Tradutores Estrangeiros, da Fundação Biblioteca Nacional. As entrevistas foram realizadas por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina e organizadas pela tradutora Dorothée de Bruchard.

Os lugares da tradução
Organizadores: Johannes Kretschmer, Fabio Lima, Susanna Kampff Lages e Dorothée de Bruchard

Apresentação
FBN e UFF

Introdução
Johannes Kretschmer (UFF) e Fabio Lima (FBN)

Parte 1

“Experimentos modernistas em tradução: UniõesVereinigungen de Robert Musil” Kathrin Rosenfield (UFRGS)

“O motor do esquecimento: o trabalho da tradução como rememoração deformadora”
Susana Kampff Lages (UFF)

“Uma tradução expressionista. Notas sobre a tradução do Antigo Testamento por Martin Buber e Franz Rosenzweig”
Andrea Lombardi (UFRJ)

“Histórias de traduções de outros”
Ana Isabel Borges (UFF)

O lugar do escritor
Carola Saavedra e Luiz Ruffato

O Fundo Alemão para a Tradução e o Colóquio Literário de Berlim: formação e fomento de tradutores literários
Jürgen Jakob Becker (Literarisches Colloquium Berlin)

Oficina de tradução vice-versa alemão-português e portuguê-salemão:
um modelo bem-sucedido
Marianne Gareis (Berlim) e Kristina Michahelles (Rio de Janeiro)

A Oficina / Escola de Inverno de Tradução Literária: uma experiência colaborativa
Carolina Paganine (UFF) e Giovana Cordeiro Campos de Mello (UFF)

Entre-Nós-Otros: tradução e diversidade na América Latina
Rodrigo Labriola (UFF) e Román García Arrospide (Montevidéu)

Parte 2

Quem traduz as nossas letras? Depoimentos de tradutores da literatura brasileira
Dorothée de Bruchard (organização e apresentação)

Paula Anacaona (França)
Dorothée de Bruchard (entrevistadora)

Nicholas Caistor (Inglaterra)
Iris Marjorie Boing Imhof (entrevistadora)

Pere Comellas Casanova (Catalunha, Espanha)
Filipe Mattos, Jéssica Amaral Abad, Taiane Santi Martins (entrevistadores)

Wanda Jakob (Alemanha)
Iris Marjorie Boing Imhof (entrevistadora), Flávia Maria Nascimento (revisão)

Clifford E. Landers (Estados Unidos)
Maria Cristina Neves Córdova (entrevistadora), Marta Elis Kliemann (revisão)

Manuele Masini (Itália)
Angélica Berndt Lopes, Anna Pooely Gaest Odorizzi, Mirian de Souza Espindula (entrevistadores), Maria Cristina Neves Córdova (revisão)

Teresa Matarranz López (Espanha)
Rosemary Joubrel (entrevistadora), Marta Elis Kliemann (revisão)

Dominique Nédellec (França)
Caroline Guglielmi (entrevistadora), Ana Luiza Hemb (revisão)

Maria Papadima (Grécia)
Patrícia Herkenhoff (entrevistadora), Bianca Melyna (revisão)

Philippe Poncet (França)
Flávia Maria Nascimento (entrevistadora), Iris Marjorie Boing Imhof (revisão)

Claire Varin (Quebec, Canadá)
Marta Elis Kliemann (entrevistadora), Maria Cristina Neves Córdova (revisão)

“Como transcrever o regionalismo de José Lins do Rego”
Paula Anacaona
Tradução de Maria Cristina Neves Córdova e Marta Elis Kliemann

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Encontro de tradutores na BN

Os tradutores participantes do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros apresentam e comentam o seu trabalho na Biblioteca Nacional. Com a presença de: Jessica Falconi (Itália), tradutora de Hotel Atlântico, de João Gilberto Noll Mele Pesti (Estônia), tradutora de Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera Nikolaos Pratsinis (Grécia), tradutor de […]

via FBN | Encontro de Tradutores na BN — blogdabn

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Oficina de Tradução Literária na Biblioteca Nacional

Estão abertas até 31 de março as inscrições para a oficina de tradução literária que acontecerá no Rio de Janeiro em 19 de abril de 2017. Sob a coordenação da tradutora argentina Teresa Arijón, a oficina oferecerá a tradutores a oportunidade de discutir e compartilhar os desafios de tradução do português para o espanhol e do espanhol para o português.

A tradutora é bolsista do Edital de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil 2016, da Fundação Biblioteca Nacional. Ao longo do mês de abril, ela estará no Brasil cumprindo uma agenda de trabalho e pesquisa para seu projeto atual: a tradução de uma coletânea de artigos e ensaios da crítica e ativista cultural Heloísa Buarque de Hollanda.

Teresa Arijón, poeta e tradutora

 Poeta e tradutora, Teresa Arijón assinou as traduções de autores destacados da ficção brasileira contemporânea como Adriana Lisboa, Alberto Mussa, Andréa del Fuego, além de nomes consagrados como Clarice Lispector e Hilda Hilst, entre outros, muitas delas em parceria com a tradutora Bárbara Belloc. Juntas, idealizaram a coleção ‘Nomadismos’, que já apresentou aos leitores de língua espanhola amostras da produção ensaística brasileira nas vozes de Ana Cristina Cesar, Ferreira Gullar, Hélio Oiticica, Oscar Niemeyer e Waly Salomão.

 A oficina reunirá as seguintes atividades:

  1. mesa-redonda sobre literatura e tradução português-espanhol/espanhol-português;
  2. apresentação da tradutora sobre a sua trajetória e métodos de trabalho;
  3. apresentação e debate a respeito dos projetos dos tradutores presentes.

Profissionais de tradução literária português-espanhol e/ou espanhol-português estão convidados a se candidatar no período de 7 a 31 de março. Para participar da seleção, os candidatos devem enviar os itens abaixo para tradutoresbrasil@bn.gov.br:

  1. minibiografia (máximo de uma lauda);
  2. descrição do projeto de tradução (máximo de duas laudas): a descrição deve conter trechos da tradução em questão e sugestões de pontos para debate.
  3. dados pessoais (nome completo, endereço e telefone de contato).

Serão selecionados até oito tradutores para apresentação e debate de seus projetos. A seleção será feita pela tradutora, que avaliará a consistência dos projetos e a sua capacidade de estimular o debate. Os demais inscritos poderão participar da oficina na qualidade de ouvintes. O resultado da seleção será anunciado em 7 de abril de 2017 no sítio da Biblioteca Nacional (www.bn.gov.br).

SERVIÇO

Oficina de Tradução Literária
Data: 19 de abril de 2017, das 10h às 17h30.
Local: Auditório Machado de Assis, Fundação Biblioteca Nacional. Rua México s/n°, Rio de Janeiro-RJ (entrada pelo jardim).
Inscrições: de 7 a 31 de março de 2017.
Endereço para envio de inscrições: tradutoresbrasil@bn.gov.br.

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Títulos brasileiros publicados no exterior # 1/2017

Dando início às atividades do blog em 2017, retomamos a série “Títulos brasileiros publicados no exterior” com a relação dos livros lançados nos últimos seis meses com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional, por meio do Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior.

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ALBANÊS

Tatiana Salem Levy, A chave de casa / Çelësi i shtëpisë, tradução de Eljona Balilaj, Ombra GVG (ALBÂNIA).

 

 

 

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ALEMÃO

Eduardo Viveiros de Castro, A inconstância da alma selvagem / Die Unbeständigkeit der wilden Seele, tradução de Oliver Precht,   Verlag Turia Kant (Áustria).

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Martha Batalha, A vida invisível de Eurídice Gusmão / Die vielen Talente der Schwestern Gusmão,  tradução de Marianne Gareis, Suhrkamp Verlag (ALEMANHA).

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 CHINÊS

 Jorge Amado, A morte e a morte de Quincas Berro d’Água / 金卡斯的两次死亡, tradução de Fan Xing ,Yilin Press (CHINA).

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Jorge Amado, Tenda dos milagres /奇迹之篷, tradução de Fan Xing, Yilin Press (CHINA).

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CROATA

Revista Književna Smotra, volume XLVIII 2016, nº 181 (3). Edição dedicada à literatura brasileira. Organizadores: Maria Teresa Salgado Guimarães Silva e Tanja Tarbuk. Hrvatsko filološko društvo / Sociedade Filológica Croata (CROÁCIA)

Artigos e ensaios: Anélia, Montechiari Pietrani, Antonio Carlos Secchin, Benjamin Abdala Junior, Carmem Gadelha, Leonardo Lucena Pereira Azevedo da Silveira, Lucia Helena, Maria Graciete Besse, Maria Lucia Guimarães de Faria, Maria Nazareth Soares Fonseca, Ronaldes de Melo e Souza Stefania Chiarelli, Técia E. Vailati, Vera Lúcia Ramos de Azevedo.

Ficção: Adriana Lisboa, Ana Paula Maia, Carola Saavedra, Clarice Lispector, Daniel Galera, Ferréz, João Anzanello Carrascoza, Jorge Amado, Machado de Assis, Michel Laub, Raduan Nassar, Rubem Fonseca, Tatiana Salem Levy.

Tradução: Dean Trdak, Ivana Đuran, Jelena Pešorda, Petra Petrač, Tanja Tarbuk, Tomica Bojsić.

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Antologia Brasil periférica: literatura marginal de São Paulo, organização e tradução de Lucia Tennina, Editorial Cuarto Próprio (CHILE).

Textos de: Akins Kintê, Allan da Rosa, Alisson da Paz, Amauri, Augusto Cerqueira, Binho, Buzo, Caco Pontes, Casulo, Dinha, Dugueto Shabbaz, Elizandra Souza, Emerson Alcande, Fernando Ferrari, Ferréz, Fuzzil, Gaspar Z’África Brasil, Giovanni Baffo, GOG, Jeniffer Nascimento, João do Nascimento Santos, Lids Ramos, Luan Luando, Luz Ribeiro, Márcio Batista, Marco Pezão, Michel Yaquini, Ni Brisant, Priscila Preta, Raquel Almeida, Renan Inquérito, Rodrigo Ciríaco, Rodrigo Moreira, Rose Dorea, Sacolinha, Samanta Biotti, Sérgio Vaz, Serginho Poeta, Sonia Regina Bischain, Tula Pilar, Vagner Souza, Zinho Trindade.

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Carlos Henrique Schroeder, As fantasias eletivas / Las fantasias electivas, tradução de Merceders Vaquero Granados, Maresia Libros (ESPANHA).

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Marcelo Ferroni, Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam / Tras las paredes, mi amor, los esclavos nos contemplan, tradução de Merceders Vaquero Granados, Maresia Libros (ESPANHA).

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Roberto Piva, Paranoia, tradução de Edgar Saavedra, Nulú Bonsai (ARGENTINA)

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