NOVO REGULAMENTO DO PROGRAMA DE TRADUÇÃO E EDITAL 2022 

O Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros objetiva a promoção da literatura brasileira por meio da cooperação internacional. Vigente desde 1991, o Programa oferece suporte financeiro às editoras estrangeiras que queiram traduzir e publicar obras de autores brasileiros.  

Clarice Lispector, Machado de Assis, Jorge Amado, Guimarães Rosa e outros diversos autores foram lidos e reconhecidos nos quatro continentes, graças ao trabalho realizado pelo Programa.  

Em fevereiro deste ano, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) publicou o primeiro Regulamento do Programa de Tradução, disponível em português, inglês, francês e em espanhol. O Regulamento é o documento permanente do Programa; ele estabelece as principais diretrizes e os documentos necessários para o processo de inscrição.  

Como novidade, o Regulamento prevê a possibilidade de editais que destinam bolsas às editoras brasileiras que desejam publicar e distribuir obras nacionais no estrangeiro. Além do mais, o Regulamento também prevê a possibilidade de editais especiais tendo em consideração efemérides, idiomas, autores em domínio público, gêneros especiais etc.  

Desde a publicação do Regulamento, a FBN também pode destinar bolsas de apoio a projetos de coletâneas de ensaios, de contos e de poemas que incluam textos inéditos no Brasil.  

Dado o caráter permanente do Regulamento, a cada dois anos a FBN publica um Edital de Chamamento Público com o cronograma das atividades do biênio, as datas das inscrições, as reuniões da Comissão Avaliadora, o período de recursos e de divulgação dos resultados parciais de habilitação e seleção. 

Haja vista o bicentenário da Independência do Brasil em 2022, o Edital deste ano também aceitará as inscrições de editoras brasileiras que almejam verter e distribuir no exterior obras em Língua Portuguesa que versam sobre a emancipação política da nação. 

Visite o Regulamento do Programa: https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/editais/2022/regulamento-programa-traducao-fbn-regulation-fbns/regulamento_poliglota_0.pdf 

Edital do biênio 2022-2024: https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/editais/2022/regulamento-edital-2022-programa-traducao-fbn-regulation/edital-regulamento-edital-2022-programa-traducao-fbn.pdf  

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EDITAL 2022-2023

O Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da BibliotecaNacional chega à sua 31ª edição! E traz uma novidade no biênio 2022-2023, a fim de honrar o Bicentenário da Independência: também poderão participar, em caráter excepcional, as editoras brasileiras que, mediante justificativa fundamentada, desejem verter para outro idioma obras previamente publicadas em língua portuguesa sobre a Independência do Brasil, para distribuição internacional. Mais DIVERSIDADE e OPORTUNIDADE! Viva a memória nacional! Acesse o EDITAL e o REGULAMENTO do Programa.

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CLARICE LISPECTOR: AUTORA E TRADUTORA

Full text (in english): https://bit.ly/3GHxzjp

Em outras ocasiões já foi dito pela Fundação Biblioteca Nacional que Clarice Lispector é a autora brasileira cujas obras literárias receberam mais apoio financeiro pelo Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior (https://bookcenterbrazil.wordpress.com/2017/12/08/a-volta-ao-mundo-em-20-capas-de-clarice/). De fato, entre 1991 e 2020, o legado literário da autora foi contemplado 60 vezes em projetos de tradução pela FBN para idiomas que vão do inglês, espanhol, francês e alemão, passando pelo polonês, húngaro, ucraniano, eslovaco, estoniano, turco, búlgaro, grego, macedônio, sueco, dinamarquês, croata, dentre outros. Dentre as editoras, a norte-americana New Directions foi aquela que mais publicou Clarice com o apoio do Programa de Tradução, totalizando 11 títulos (https://www.ndbooks.com/author/clarice-lispector/). No entanto, o que é pouco divulgado e conhecido pelo público em geral é que Clarice Lispector também foi uma excelente e prolífica tradutora.

Destaque da obra de Clarice em 10 capas de edições estrangeiras de seus livros apoiados pelo Programa de Tradução da FBN

Do alto de seus 17 anos, Clarice Lispector imagina um meio de custear suas despesas. Resolve dar aulas de matemática e português, aprende datilografia e passa a frequentar a Cultura Inglesa. Ela que já sabia francês, conhecia bem hebraico e iídiche, lembrava um pouco de russo, ficou fluente em inglês e fez da máquina de escrever uma companheira inseparável de toda a sua vida. Aos 19 anos, Clarice já traduzia textos científicos escritos em inglês. Em 1940, aos 20 anos, cursando o segundo ano da Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, ela procura Lourival Fontes (1899-1967), diretor do DIP, o “Departamento de Imprensa e Propaganda” de Getúlio Vargas, para ver se consegue uma vaga de tradutora. Vaga não tinha e Clarice vira repórter e redatora da Agência Nacional, então vinculada ao DIP. No faz de tudo da redação, traduz cartas e documentos. Em maio de 1940, escrevendo a Elisa, sua irmã, ela comemora: “Recebi na 2ª feira 28$200 na redação concernente a traduções antigas”. Traduções antigas, isto é, demoraram a pagar… Sempre atenta, porém, às oportunidades, no início do ano seguinte publica, na revista Vamos Lêr! (1936-1948), a sua primeira tradução literária, feita do francês, um conto de Claude Farrère (1876-1957), “O missionário”, aliás uma grande alegoria do ofício de tradutor. O nome sai errado na revista – “Clarisse” – e talvez tenha lhe insinuado, ela que via sinais e presságios em quase tudo, que o caminho de Clarice-Tradutora seria um tanto sinuoso: de fato o foi. De 1941 a 1977, ano de sua morte, serão 46 os títulos que traduziu do inglês, francês e espanhol, a maioria a partir de 1967. Em ambos extremos desse sinuoso caminho, partida e chegada, juventude e maturidade, há algo em comum: ela traduz para ganhar a vida.

Obras traduzidas por Clarice Lispector para o português

Aos 23 anos, Clarice casa-se com Maury Gurgel Valente (1921-1994), já no Itamaraty e futuro diplomata. Viaja muito, portanto, e publica seus livros; já não precisa preocupar-se com instabilidades financeiras. Em 1943 lançou seu primeiro livro, Perto do coração selvagem que, bem acolhido pela crítica, recebe o Prêmio Graça Aranha de melhor romance daquele ano. Passados dois anos, aparece a primeiríssima tradução de um texto seu, feita para o italiano, o capítulo “A tia” de seu romance de estreia; “La zia” saiu na revista Prosa, mantida, em Roma, pelos “solarianos”; a tradução esteve aos cuidados do intempestivo Ungaretti (1888-1970) que mal acabara de chegar do Brasil (1942). Não muito tempo depois, em 1952, Beata Vettori (1909-1994), uma diplomata brasileira engajada nas pautas feministas, traduziu o capítulo “Os primeiros desertores” de A cidade sitiada que Clarice lançara em 1949. À época, Beata Vettori estava no Rio, vinda de uma missão diplomática de 3 anos em Londres, e atuava na secretaria do Instituto Rio Branco. O capítulo saiu com o título “Persée dans le train” [Perseu no trem] na revista literária Roman, da editora parisiense Plon, dirigida pela autora e tradutora feminista Célia Bertin (1920-2014) em parceria com Pierre Lescure (1891-1963).

A excelente tradução de Vettori ensejou o interesse de se publicar, em francês, Perto do coração selvagem (1943). Faltava, porém, quem fizesse a tradução. Lescure e Bertin encontraram em Denise-Teresa Moutonnier, uma elegante parisiense poliglota que viera ao Brasil em 1953 como secretária do arquiteto Gaston Bardet (1907-1989), a primeira tradutora de uma obra integral de Clarice Lispector. Em vista do prazo, bastante exíguo, Moutonnier traduziu as 250 páginas de Perto do coração selvagem em poucas semanas, talvez menos de um mês, mas Clarice não gostou de Près du coeur sauvage… Achou a tradução “extremamente ruim”. Mas essa já é outra estória. Passado o primeiro momento, a autora se arrependeu desse juízo e, educadíssima, desculpou-se por duas vezes junto ao editor Pierre Lescure. Moutonnier deve ser considerada a “primeira tradutora” de Lispector por ter sido quem por primeiro traduziu uma obra completa da autora. Atualmente, Perto do coração selvagem circula em 18 idiomas.

Destaque da obra de Clarice em 10 capas de edições estrangeiras de seus livros apoiados pelo Programa de Tradução da FBN

Em 1963, do alto agora de seus 43 anos, separada há 4 anos do marido, Clarice Lispector precisa reiventar-se financeiramente. Traduzir…? Por quer não? E Matriz de Bravos, The winthrop Woman, de Anya Selton (1904-1990), sai pela editora Ypiranga. Nos próximos anos, até o fim da vida, ela traduzirá romances, contos, literatura infanto-juvenil e peças de teatro (poucas e quase todas inéditas). Em 1967, em meio a esse recomeço um tanto forçado – ela passou quase 20 anos sem traduzir – e como que anunciando as dificuldades que marcariam seus últimos 10 anos de vida, a autora acidenta-se gravemente em um incêndio. Por pouco não perdeu a mão direita. Acidente, talvez trauma e certamente o medo como que emergem na crônica Traduzir procurando não trair publicada, no ano seguinte, na Revista Joia: “Traduzo, sim, mas fico cheia de medo de ler traduções que fazem de livros meus. Além de ter bastante enjoo de reler coisas minhas, fico também com medo do que o tradutor possa ter feito com um texto meu”.

“História dos dois que sonharam”, de Jorge Luis Borges, traduzido por Clarice Lispector. Publicado no Jornal do Brasil em 27 de dezembro de 1969. Fonte: acervo digital do Jornal do Brasil

Na década de 1970, novos apuros financeiros demandam mais e mais traduções. Em 1974, traduz 4 livros; em 1975, 8; em 1976, 4. Demitida em 1974 d’O Jornal do Brasil, ela comenta suas traduções: “É o meu sustento. Respeito os autores que traduzo, é claro, mas procuro me ligar mais no sentido do que nas palavras. Estas são bem minhas, são as que elejo. Não gosto que me empurrem, me botem num canto, exigindo as coisas. Por isto senti um grande alívio, quando me despediram de um jornal, recentemente. Agora só escrevo quando quero”. Em outra entrevista, diz que vive de “uma pequena renda que tenho, modesta; além disso, eu traduzo”. E traduz de tudo: Agatha Christie, Poe, Julio Verne, Jonathan Swift, Jack London, Wilde, Walter Scott, Henry Fielding e tantos outros. Há mesmo quem veja certa simbiose entre os textos traduzidos e as obras autorais publicadas entre 1974 e 76. Assim, a Hora da Estrela teria algo de A Rendeira, La Dentellière, de Pascal Lainé, traduzida em 1975 por Clarice. Seja como for, dentre os documentos custodiados pela Fundação Casa de Rui Barbosa há uma “Certidão de inscrição de profissional autônomo”, emitida em 6 de fevereiro 1975: Clarice Gurgel Valente “Escritora de livros e Tradutora”.

Depois da primeiríssima Près du coeur sauvage, de Denise-Teresa Moutonnier, vieram muitas outras primeiras traduções. Em 1955, a primeira feita para o espanhol; em 1961, a primeira para o inglês; em 1963, a primeira para o alemão; em 1973, a primeira para o tcheco. Hoje, Clarice conta com cerca de 180 traduções integrais em mais de 32 idiomas e 40 países. Desde o início do Programa de Tradução, a Biblioteca Nacional apoiou a difusão internacional de suas obras que já foram publicadas em sueco, espanhol, inglês, húngaro, eslovaco, grego, ucraniano, albanês, alemão, italiano, tcheco, dinamarquês e croata. Ultimamente, a obra de Clarice Lispector tem recebido um tratamento mais criterioso por parte das editoras estrangeiras que visam traduções esmeradas com projeto gráfico de qualidade, dando novo impulso à recepção dessas obras no exterior. Assim, por exemplo, embora o mercado editorial norte-americano seja muito fechado à literatura estrangeira, os contos de Clarice Lispector – The Complete Stories – traduzidos por Katrina Dodson com o apoio do Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, da FBN, lançado pela New Directions, foi escolhido pelo New York Times como um dos 100 melhores livros de 2015 (a obra também foi traduzido para o alemão pela Penguin Random House com o apoio do Programa de Tradução da FBN): https://www.nytimes.com/2015/08/02/books/review/the-complete-stories-by-clarice-lispector.html

“The Complete Stories”, by Clarice Lispector (publicado pela editora norte-americana New Directions com o apoio do Programa de Tradução da FBN)
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A DIFUSÃO INTERNACIONAL DO HQ BRASILEIRO, COM DESTAQUE PARA PORTUGAL

Atualmente, as histórias em quadrinhos representam um nicho importante da economia criativa que tem apostado em quadrinhos adultos com temáticas que vão dede as obras literárias adaptadas às que retratam o underground urbano. Saindo do papel e inovando, as HQs assumem também novas modalidades de existência no mundo das animações, dos jogos eletrônicos e até mesmo dos objetos licenciados. Criadores brasileiros de HQs “autorais” notam, com frequência, a transformação pela qual o setor passou nos últimos anos ao reconhecer que o meio era tão restrito há 20 anos que os autores liam o que os colegas tinham feito e nesse pequeno círculo melancolicamente esgotava-se o público.

Os novos tempos levaram os HQs brasileiros aos Estados Unidos e à Europa. Em Portugal, eles encontraram um porto seguro. É interessante, aliás, notar o envolvimento desse país com as HQs, existindo toda uma bibliografia especializada a respeito. Em Portugal, as “histórias aos quadradinhos”, como se dizia em meados do séc. XIX, estrearam com as “Aventuras Sentimentaes e Dramáticas do Senhor Simplício Baptista” (1850), assinadas por Flora, provável pseudônimo do caricaturista Antônio Nogueira da Silva (1830-1868). No Brasil, mais ou menos no mesmo período, as histórias em quadrinho ganham forma com a crônica política e social das revistas ilustradas, cabendo às Aventuras de Nhô Quim, de Angelo Agostini (1843-1919), italiano radicado no Rio de Janeiro, o status de primeiro HQ nacional (1869). Como que a inaugurar as boas relações dos dois países no mundo da “banda desenhada”, em 1870 desembarcava no Rio, vindo de Lisboa, Raphael Bordallo Pinheiro (1846-1905), à época o mais importante ilustrador, caricaturista e criador de HQs português. Ficou quatro anos no Brasil, fez-se amigo de Angelo Agostini e trabalhando ativamente para O Mosquito, Psit!!! e O Besouro

Aventuras de Nhô Quim, de Angelo Agostini

No âmbito editorial português, a Editora Polvo, com quase 20 anos de estrada, já publicou autores franceses como Marjane Satrapi e Joann Sfar e dedica-se à divulgação de autores brasileiros como D’Salete, Quintanilha, Aguiar, Diniz, Ducci, Nunes, Odyr, Neco, Coutinho, Frazão. Com o suporte do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da Fundação Biblioteca Nacional, a Polvo soma 15 publicações de HQ brasileiro em Portugal (10 já concretizadas e 5 ainda em processo de edição). As 10 obras já publicadas são: Coisas de adornar paredes, de José Aguiar; Hinário nacional, de Marcello Quintanilha; O Ateneu, de Raul Pompeia e Marcello Quintanilha; Portais, de Octavio Cariello e Pietro Antognioni; Angola Janga, de Marcelo Marcelo D’Salete; Kardec, de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa; Morro da Favela, de André Diniz e Maurício da Costa; Folia de Reis, de Marcello Quintanilha; Matei o meu pai e foi estranho, de André Diniz; A Revolta da Vacina, de André Diniz. Para os próximos anos, aguardamos as publicações das seguintes obras de HQ brasileiro pela editora Polvo com o apoio da FBN: Zodíako, de Jayme Cortez; Os sertões, de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa; Talco de vidro, de Marcello Quintanilha; O terror negro, de Jayme Cortez; A caravela, de Nilson

Publicações da editora portuguesa Polvo com o apoio do Programa de Tradução da FBN

Dos livros publicados com o apoio do Programa de Tradução da FBN, cinco deles integram o Plano Nacional de Leitura 2027 (implementado pelo Governo de Portugal e que funciona como “selo de qualidade”), sendo elesSão eles: Hinário nacional, de Marcello Quintanilha; O Ateneu, de Raul Pompeia e Marcello Quintanilha; Angola Janga, de Marcelo Marcelo D’Salete; Kardec, de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa; e Morro da Favela, de André Diniz e Maurício Hora.

Desde 1990, a cidade portuguesa de Amadora, na região metropolitana de Lisboa, promove o “Festival Banda Desenhada”. Em 2020, a emergência sanitária fez com que o Amadora BD fosse totalmente online; em 2021, o modo “híbrido”, com eventos online e presenciais, oportunizou sessões de autógrafos, exposições e oficinas de autores portugueses e estrangeiros dentre os quais citamos Georges Bess (Drácula, de Bram Stoker), Philippe Thirault (autor de Shanghai Dream ilustrado Jorge Miguel). Pela primeira vez, o festival, em sua 32ª edição ininterrupta, concederá um prêmio em dinheiro, de 5.000 euros, à melhor HQ de autor português (no final desse post, você encontrará a relação dos vencedores dos Prêmios de Banda desenhada da Amadora 2021).

Atualmente, os grandes festivais de Amadora e de Beja refletem o valor que os portugueses conferem a esse gênero literário, conjugando planejamento editorial e promocional em eventos com boa afluência de público. Nesses eventos, os HQs brasileiros são apreciados pela variedade temática e de estilos bem como por sua originalidade e qualidade gráfica. Assim, por exemplo, o Prêmio Nacional de Banda Desenhada de Amadora (2016), premiou Maria!…, de Henrique Magalhães, na categoria Melhor Álbum de Tiras Humorísticas. O Festival de Banda Desenhada de Beja (2017), que contou com 10 países representados, teve os brasileiros Rafael Coutinho (O Beijo Adolescente, Mensur), Flávio Luiz (Aú o Capoeirista, Rota 66), Pedro Cobiaco (Cais, Harmatã)dentre os convidados.

Cabe recomendar o bonito Catálago HQ Brasil que reúne o melhor da produção contemporânea nacional. Esse catálogo terá versões em outros idiomas e serve de subsídio para outras iniciativas do Itamaraty na promoção do HQ brasileiro no exterior. Disponível no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/1XvqpRTD23C0-2ZfYZCYohGcGKSQ7Fpx7/view

Vencedores Amadora BD 2021

Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português
Balada para Sophie, de Filipe Melo e Juan Cavia

Melhor Obra Estrangeira de Banda Desenhada Editada em Português
Burlão nas Índias, de Alain Ayroles e Juanjo Guarnido, da editora Ala dos Livros

Prémio Revelação
Ricardo Santo, por Planeta Psicose, da editora Escorpião Azul

Melhor Fanzine / Publicação Independente
Bestiário de Isa, de Joana Afonso, edição da autora

Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada
Procura-se Lucky Luke, de Mathieu Bonhomme, da editora A Seita 

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A TRADUÇÃO DA OBRA LITERÁRIA DE CONCEIÇÃO EVARISTO PARA O FRANCÊS

Uma das grandes vozes da literatura brasileira contemporânea, Conceição Evaristo foi premiada na França com a tradução de “Ses yeax d’eau” (Seus olhos d’água), publicado pela Éditions des Femmes em março de 2020. A Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense foi homenageada com o Prêmio de Obra Poética da Academia Claudine de Tencin. Os diversos livros publicados pela ativista pelas questões raciais venderam dezenas de milhares de exemplares no Brasil e foram traduzidos para várias línguas, incluindo o francês. Neste sentido, “L’Histoire de Poncia” (2015), “Banzo, mémoires de la favela” (2016) e “Insoumises” (2018), foram publicados pela Anacaona, assim como “Poèmes de la mémoire et autres mouvements” (2019) também foi publicado pela Éditions des Femmes com o financiamento do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da Fundação Biblioteca Nacional.

Publicação de Conceição Evaristo na França com o apoio do Programa de Tradução da FBN

Poeta, romancista, contista e pesquisadora, a mineira Conceição Evaristo, segunda filha dentre nove irmãos, cresceu na comunidade do Pindura Saia, em Belo Horizonte. Dessa primeira fase de sua vida, rica de “causos” ouvidos nas rodas de família, ela nos diz que “não nasci rodeada de livros, nasci rodeada de palavras”. Escritora desde menina – foi “O Diário de Anne Frank” que lhe despertou o desejo de escrever – Conceição teve os primeiros escritos publicados apenas aos 44 anos, contando, então, com boa acolhida por parte dos movimentos sociais. Em 2015, seu livro “Olhos d’água” lhe alcança o Prêmio Jabuti, na categoria “contos e crônicas”.  Em 2018, candidata-se, sem êxito, mas com o apoio popular de 50 mil assinaturas, à Academia Brasileira de Letras.

Sua arte consiste em fazer “um jogo com as palavras: escrever, viver, se ver, escrever vivendo, escrever se vendo”. Sua matéria-prima encontra-se nos “Homens, mulheres, crianças, ambientes, posturas de vida, acontecimentos praticamente relacionados com a minha experiência enquanto mulher negra”. À sua escrita toda especial, Conceição dá um nome: escrevivência: “A vida é o meu material de ficcionalização. Por isso o termo escrevivência”.

Conceição Evaristo tem presença assegurada no cenário literário internacional com obras traduzidas para o francês, o inglês, o espanhol e, em breve, também o árabe. Essa presença se desdobra também no permanente diálogo com autoras de temáticas próximas à sua como a moçambicana Paulina Chiziane, cuja amizade Conceição celebra dizendo “ter a felicidade de tratá-la de comadre, de tão próximas que a gente ficou”. Paulina Chiziane, como se sabe, acaba de receber o Prêmio Camões de 2021.

Conceição Evaristo na França para a publicação de seu livro pela Éditions des Femmes (abril de 2019)

Nossa autora mineira, radicada no Rio de Janeiro desde 1971, recebeu recentemente o Prêmio de Obra Poética, da Academia Claudine de Tencin, sediada em Grenoble, França, por seu livro de contos “Olhos d’Água”, traduzido para o francês por Izabella Borges e publicado pela Éditions des Femmes.  Izabella assim comenta as peculiaridades da tradução: “O mais difícil para mim na tradução da Conceição foi e é ainda a rapidez com a qual ela constrói o cenário e os personagens sobre os quais ela vai falar. E eu tive que passar isso para o francês de maneira rápida, sem perder o sentido e, ao mesmo tempo, guardando a carga poética da obra dela”.

Conceição Evaristo obteve mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), em 1996, com a dissertação Literatura Negra: uma poética da nossa afro-brasilidade. E defendeu a tese de doutoramento Poemas Malungos – Cânticos Irmãos, em 2011, na Universidade Federal Fluminense (UFF): “Do meu ouvir, deixo só a gratidão e evito a instalação de qualquer suspeita. Assim caminho por entre vozes. Muitas vezes ouço falas de quem não vejo nem o corpo. Nada me surpreende do invisível que colho. Sei que a vida não pode ser vista só a olho nu”.

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TRADUÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA NA CHINA

Com o objetivo de fomentar a tradução da literatura brasileira para o mandarim, no dia 23 de setembro de 2021, a Embaixada do Brasil em Pequim promoveu um evento online que contou com a presença de 8 editoras chinesas e 14 brasileiras, além da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), da Câmara Brasileira do Livro (CBL), da Apex-Brasil e da Open Books.

“A Hora da estrela”, de Clarice Lispector
Publicado pela Shanghai 99 com o apoio da FBN

O encontro foi uma excelente oportunidade para aproximar as editoras dos dois países (promovendo interação direta e troca de portfólios) e apresentar o mercado editorial chinês (incluindo as tendências e enfoques específicos). Ainda assim, o encontro virtual foi um espaço propício para introduzir as editoras chinesas aos programas de apoio à tradução de literatura brasileira da FBN e da CBL disponíveis àqueles que queiram traduzir, publicar e distribuir internacionalmente obras literárias previamente publicadas no Brasil.

“Azul Corvo”, de Adriana Lisboa
Publicado pela Central Compilation com o apoio da FBN

O evento foi antecedido e pavimentado por uma live sobre literatura brasileira, também organizada pela Embaixada do Brasil, que se deu no contexto da 24ª Feira Internacional do Livro de Pequim (BIBF), ocorrida entre os dias 23 e 27 de agosto deste ano. Durante o evento online que já possui mais de 1 milhão de visualizações, escritores e tradutores chineses expuseram as suas experiências com a literatura e a cultura brasileiras. Em paralelo, durante a Feira do Livro de Pequim, cerca de 20 livrarias chinesas exibiram livros traduzidos do português para o mandarim.

A série infantil “O diário de Pilar”, de Flávia Lins e Silva
Publicado pela Guangxi com o apoio da FBN

O Programa de Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da FBN aproveita a iniciativa do Itamaraty para fazer um balanço da tradução da literatura brasileira para o mandarim fomentada pelo governo federal durante os 30 anos da existência do Programa (1991-2021). Ao total, entre 2012 e 2019, foram concedidas 13 bolsas de tradução para 06 editoras chinesas. Desta forma, o mandarim figura como o 15º idioma mais traduzido por meio das bolsas de tradução concedidas pela FBN, com 1,17% do total.

EDITORA CHINESATÍTULO DA OBRA TRADUZIDAAUTORANO DE CONCESSÃO DA BOLSA
Thinkingdom Media GroupO diário de um magoPaulo Coelho2012
Thinkingdom Media GroupO AlephPaulo Coelho2012
People’s Literature Publishing HouseVamos aquecer o sol / DoidãoJosé Mauro de Vasconcelos2013
Shanghai 99A hora da estrelaClarice Lispector2013
GuangxiDiário de Pilar na AmazôniaFlávia Lins e Silva2014
GuangxiDiário de Pilar no EgitoFlávia Lins e Silva2014
GuangxiDiário de Pilar na GréciaFlávia Lins e Silva2014
GuangxiCaderno de viagens de PilarFlávia Lins e Silva2014
People’s Literature Publishing HouseRosinha, minha canoaJosé Mauro de Vasconcelos2015
Yilin PressTenda dos milagresJorge Amado2016
Yilin PressA morte e a morte de Quincas Berro d’ÁguaJorge Amado2016
Central Compilation & Translation PressAzul-corvoAdriana Lisboa2019
Central Compilation & Translation PressSinfonia em brancoAdriana Lisboa2019

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HQs BRASILEIRAS SE DESTACAM DENTRE AS PUBLICAÇÕES DA EDITORA POLVO (LISBOA)

Com a História em Quadrinho (HQ) contemporânea brasileira como uma de suas principais frentes de publicação – ou Banda Desenhada (BD) como é chamada em Portugal –, a Editora Polvo, de Lisboa, publicou recentemente dois importantes exemplares desse gênero na literatura brasileira com o apoio financeiro do Programa de Tradução da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil: “Angola Janga”, de Marcelo D’Salete e “Morro de Favela”, de André Diniz (com fotos de Maurício Hora). Ao total, a editora portuguesa já foi contemplada com 10 bolsas de apoio financeiro do Programa de Tradução da FBN para a publicação de HQs brasileiros, dentre os anos de 2016 e 2019: “Os sertões”, de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa; “O ateneu”, de Marcello Quintanilha e Raul Pompeia; “Hinário nacional” e “Folia de reis”, de Marcello Quintanilha”, dentre outros.

Publicação da Ed. Polvo com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional

Segundo o diário Público, Rui Brito é o editor que tem mais investido na publicação de HQ brasileira no mercado português, através da Editora Polvo – pela qual já lançou, desde 2013, quase trinta títulos distribuídos em uma coleção dedicada ao “Romance Gráfico Brasileiro”: “Cachalote”, de Daniel Galera e Rafael Coutinho; “Cadafalso”, de Alcimar Frazão; “Tungsténio”, de Marcello Quintanilha; “O maestro, o cuco e a lenda”, de Wagner Willian, dentre outros. Em outras colecções, lançou igualmente diversos títulos de autores brasileiros, como é o caso de: “Grande”, de André Ducci; dois volumes da série “Edibar”, de Lucio Oliveira; “Portais”, de Octavio Cariello e Pietro Antognioni, ou dois volumes da série “Maria”, de Henrique Magalhães. O primeiro volume de “Maria”, “Seu nome próprio… Maria! Seu apelido… Lisboa!” seria inclusivamente premiado com o Prémio Nacional de Banda Desenhada (categoria de Humor), o mais prestigiante prêmio atribuído em Portugal na área da HQ. Nas palavras do editor português, “[p]rocurei sempre estar atento ao que se está a produzir no Brasil. A nossa colecção [de Romance Gráfico] reúne o ‘supra-sumo’ do que se está a fazer no Brasil. Neste momento a Polvo é muito conhecida pelos autores brasileiros”.

De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, de 21 de setembro de 2019, a internacionalização da HQ brasileira em Portugal é tão significativa que a publicação no país europeu começa a virar a primeira opção – ou às vezes única – para artistas vindos do Brasil. Um exemplo foi a publicação de “Luzes de Niterói”, obra do quadrinista Marcello Quintanilha, pela Editora Polvo meses antes de sair no Brasil pela Editora Veneta em 01 de fevereiro de 2019.

Publicação da Ed. Polvo com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional

Por e-mail, entrevistamos o editor português Rui Brito a respeito da importante contribuição que a Editora Polvo tem realizado para a divulgação da cultura e literatura brasileiras por meio da publicação de HQs contemporâneos:

  1. Nos conte um pouco da Editora Polvo. Por que fundar, em 1997, uma editora especializada em História em Quadrinho – ou Banda Desenhada como o gênero literário é chamado em Portugal?

A fundação da Polvo surgiu da necessidade de encontrar um local de publicação para uma série de jovens autores portugueses, emergentes na altura e de grande qualidade, pois praticamente não havia a possibilidade de serem editados em livro. A ideia foi publicá-los de forma continuada, dando-lhes oportunidade de crescer enquanto autores.

2. Por que a HQ contemporânea brasileira se tornou uma das principais frentes de publicação da Editora Polvo?

Desde o final da década de 80 que acompanho o que vem sendo feito no Brasil na área dos quadrinhos. Foram aparecendo editoras que davam atenção a trabalhos de autores nacionais e houve uma época em que se deu uma explosão, com a publicação de várias obras marcantes na História do Quadrinho Brasileiro Contemporâneo. Refiro-me, por exemplo, a obras como “Cumbe” e “Angola Janga”, de Marcelo D’Salete, “Tungsténio” e “Talco de vidro”, de Marcello Quintanilha, “Cachalote” e “Mensur”, de Rafael Coutinho ou “Morro da favela”, de André Diniz e Maurício Hora. Todos estes trabalhos se encontram publicados em Portugal, pela Polvo.

3. Quais são cos critérios e os processos pelos quais a Editora seleciona as obras brasileiras a serem publicadas?

Depende das obras e da sua temática. Mas, geralmente, os critérios são: combinação do binômio desenho e texto (muito importante, a qualidade do texto) e brasilidade. Depois, procuramos sempre acrescentar algo às nossas edições, como por exemplo as capas inéditas, trabalhando em estreita parceria com os autores, alguns textos introdutórios ou a adaptação de alguns textos/termos para o português de Portugal, quando tal, na nossa óptica, se justifica.

4. “Angola Janga” e “Morro de Favela”, por exemplo, são obras muito importantes do ponto de vista histórico-social brasileiro. Ao passo que aquela trata da história de Palmares – o maior quilombo brasileiro e marco na luta contra a escravidão no país –, esta trata de conflitos contemporâneos travados nas favelas brasileiras pelo ponto de vista do fotógrafo Maurício Hora (morador do Morro da providência, no Rio de janeiro). Como se dá a recepção dessas narrativas pelo público português? O senhor considera que a linguagem dos HQs serve para tornar tais temáticas mais acessíveis?

As obras que refere têm tido um excelente acolhimento por parte do público português. A linguagem das HQ facilita em muito a acessibilidade a tais temáticas e sou defensor do seu uso no ensino escolar a todos os níveis, incluindo o universitário para a comunicação da ciência.

Aliás, a Polvo tem candidatado algumas obras de autores brasileiros ao Plano Nacional de Leitura (PNL), um programa do governo de Portugal que funciona como um “guia” para a leitura (muito útil para bibliotecas públicas e escolares), no fundo um selo de qualidade, e quase todas têm sido recomendadas aos leitores portugueses.

Posso acrescentar que a Polvo, para além de editar os livros, procura, sempre que possível, promover a realização de exposições à volta das HQs que originaram as obras e gerar sinergias para trazer os autores à Portugal, para se contactarem com os leitores portugueses e divulgarem o seu trabalho.

5. Para além de Portugal, as publicações da Editora Polvo conseguem atingir outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguese (CPLP), tais como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste?

Apesar da Polvo ter sido, inclusive, pioneira na edição de HQ em crioulo de Cabo Verde, é muito difícil chegar aos países da CPLP, por variadas razões. 

6. Qual a importância do Programa de Tradução da Fundação Biblioteca Nacional para as publicações de obras brasileiras pela Editora Polvo?

Felizmente que a FBN tem esse programa ativo, pois este é um valoroso incentivo à viabilização da edição de Literatura Brasileira no exterior, sendo ao mesmo tempo uma excelente montra da sua diversidade e qualidade. No caso da Polvo, tem sido muito importante poder contar com o Programa. 

Fontes consultadas:

ASSIS, Érico. Em crise, quadrinhos brasileiros encontram nichos de publicação em Portugal. In: Folha de São Paulo, 21 de setembro de 2019. Disponível em: https://bit.ly/3rjSp1C

LUSA. Exportação da BD brasileira passa por Portugal. In: Público, 02 de novembro de 2019. Disponível em: https://bit.ly/3hTGl3O

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A TRADUÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA NO EGITO

As influências culturais no Brasil, e na civilização Ocidental como um todo, disseminadas por viajantes e imigrantes dos países de língua árabe são abundantes. Falada por mais de 280 milhões de pessoas como língua materna – no Oriente Médio, Sudoeste Asiático e Norte da África –, o árabe é a língua oficial de 26 países, ficando atrás apenas do inglês e do francês. Dentre as diversas variantes do idioma, o árabe egípcio é o mais falado e compreendido mundialmente.

As trocas culturais estabelecidas entre Brasil e Egito são de longa data, uma vez que D. Pedro II (1825-1891) nutria grande curiosidade e admiração pelo Oriente Médio, e em especial, pelo Egito Antigo. No livro intitulado, “As viagens de D. Pedro II: Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876”, Roberto Khatlab apresenta as impressões registradas pelo imperador do Brasil em seus diários sobre as duas expedições que realizou ao Egito – das quais trouxe artefatos históricos, mapas, livros e fotos de viagens que contribuiriam para a composição do maior acervo egípcio da América Latina. No livro, o pesquisador brasileiro esclarece que D. Pedro II era conhecedor de mais de dezessete idiomas, entre eles o árabe, o hebraico, o turco, o inglês e o francês, e encarava os estudos linguísticos como um fator de fortalecimento da comunicação com os estrangeiros.

D. Pedro II em uma de suas expedições ao Egito na década de 1870.

No ano que marca o sesquicentenário da primeira expedição de D. Pedro II ao Egito (1871), o Programa de Tradução da Fundação Biblioteca Nacional faz um balanço da cooperação cultural estabelecida entre o governo brasileiro e quatro editoras egípcias por meio da concessão de 12 bolsas de tradução entre os anos de 2012 e 2018 para a disseminação da literatura brasileira em língua árabe.  

Fundada em 2007 como uma editora independentes, o departamento editorial da Agência Literária Sphinx objetivava, desde o seu início, criar uma maneira eficiente de promover livros no mercado editorial. Desta forma, desenvolveu o que é hoje considerada uma das mais importantes editoras de literatura internacional no mundo árabe com mais de 200 títulos traduzidos para o idioma. Com o apoio da FBN, a Sphinx publicou cinco obras que revelam um pouco da versatilidade do seu catálogo. Em 2013, publicou clássicos como “Esaú e Jacó” (1904), de Machado de Assis e “Canaã” (1902), de Graça Aranha. Em seguida, no ano de 2015, publicou três livros do gênero infantil “O menino que achou uma estrela” (1988), de Marina Colasanti; “O consumo” (2011), de Cristina Von; “Você conhece a Joana?” (2012), de Maria Eugênia.

Com mais de 190 títulos publicados sobre política, história cultural e literatura, a Editora Sefsafa foi estabelecida em 2009. Com quase 80 traduções de 15 idiomas em seu catálogo, do Brasil a editora egípcia traduziu três clássicos daquele que é considerado por muitos críticos, estudiosos e eleitores o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis. Em 2017, publicou “Várias histórias” (1896); dois anos depois, em 2019, lançou “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881); mais recentemente, em 2020, trouxe para a língua árabe o mais célebre dos 10 romances de Machado de Assis, “Dom Casmurro” (1889).

“Várias histórias”, de Machado de Assis

Com mais de quarenta anos de existência, a editora El Arabi foi fundada na fervilhante cidade do Cairo de 1975 e conta com mais de 1000 títulos em seu catálogo das mais diferentes áreas do conhecimento: comunicação de massa, bibliotecas, histórias, artes, literatura e livros infantis. Com três traduções da literatura brasileira dentre as suas publicações, as escolhas editoriais da El Arabi revelam um olhar no contemporâneo, mais especificamente em nomes femininos que dão continuidade à alta qualidade produção literária brasileira no presente. Neste sentido, em 2014, publicou “Sinfonia em Branco” (2001), de Adriana Lisboa; dois anos depois, em 2016, lançou “Ladrão de Cadáveres” (2010), de Patrícia Melo; em 2019, publicou “A chave de casa” (2007), de Tatiana Salem Levy.

“Ladrão de cadáveres”, de Patrícia Melo
Tatiana Salem Levy exibindo a sua obra traduzida para o árabe

Também com mais de quarenta anos atuando no mercado editorial egípcio, a editora Mars El Arabia traduziu para a língua árabe e publicou, em 2020, “A resistência” (2015), de Julián Fuks. Considerada pelo autor como uma obra de “biografia ficcional”, o livro ganhou o Prêmio Jabuti, em 2016 (nas categorias “Romance” e “Livro do Ano Ficção”), assim como o Prêmio Literário José Saramago, em 2017.

Julián Fuks segurando a sua obra traduzida para o árabe

Com o apoio financeiro do Ministério das Relações Exteriores e a organização da Embaixada Brasileira no Cairo, Tatiana Salem Levy e Julián Fuks visitaram esta cidade no contexto da Feira Internacional do Livro do Cairo, em janeiro de 2020. Os dois expoentes da literatura brasileira contemporânea participaram de um evento na Biblioteca Pública do Grande Cairo, assim como do simpósio “A Constituição”: a Literatura brasileira como espelho para a diáspora de exilados (sediado pelo jornal egípcio Al-Dustour)

Promoção do evento com os dois autores brasileiros na Biblioteca Pública do Grande Cairo

FONTES CONSULTADAS:

Escritor brasileiro Julián Fuks: “Mil e uma noites” foi o meu talento. In: Al-Dustour, 01 de fevereiro de 2020. Disponível em: https://www.dostor.org/2988711

KHATLAB, Roberto. As viagens de D. Pedro II: Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876. Editora Benvirá, 2015.

MODELLI, LÍS. As relíquias que D. Pedro 2º encontrou no Egito e foram queimadas no incêndio do Museu Nacional. In: BBC News Brasil, 07 de setembro de 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45452478

Tatiana Salem Levy e Julián Fuks no simpósio “A Constituição”: a Literatura Brasileira como Espelho para a Diáspora de Exilados. In: Al-Dustour, 27 de janeiro de 2020. Disponível em: https://www.dostor.org/2982878

Verbete sobre língua árabe. In: Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_%C3%A1rabe

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MARIA CLARA MACHADO EM 2021: MEMÓRIAS DE UMA VIDA DEDICADA AO TEATRO E À LITERATURA

O ano de 2021 é paradoxalmente significante para a memória da escritora, dramaturga, diretora, atriz e educadora brasileira, Maria Clara Machado. Nascida em Belo Horizonte, em 03 de abril de 1921, e falecida aos 80 anos, em 30 de abril de 2001, o ano marca os 100 anos do nascimento da autora de memoráveis peças infantis, ao mesmo tempo que nos remete à sua morte há 20 anos atrás. Ainda assim, em 2021, é comemorado os 70 anos da escola e grupo de teatro amador fundado por Maria Clara Machado, O Tablado, considerado Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro e responsável pela formação de atores como Fernanda Torres, Marcelo Serrado, Drica Moraes, Malu Mader, Maria Padilha, Lucia Verissimo, Patrícia Pillar e Louise Cardoso.

O conjunto da obra de Maria Clara Machado foi de fundamental importância para a formação de uma cultura teatral brasileira. Dentre as 29 peças infantis que a autora escreveu, a de maior sucesso com o público e a mais importante de seu repertório, “Pluft, o Fantasminha” foi levada pela primeira vez ao palco do Tablado, em 1955. Desde então, permanece viva no imaginário popular nacional, além de ter ganhado projeção internacional – o texto foi traduzido para diversos idiomas e encenado nos palcos da Europa, América Latina e Estados Unidos. As peças teatrais de Maria Clara Machado também foram publicadas em livros, assim como algumas de suas obras foram realizadas no cinema e na TV.

Apesar da pandemia de Covid-19 impedir comemorações presenciais, a UNIRIO realizou um seminário online (entre 21 de abril e 19 de maio) e a Fundação Casa de Rui Barbosa montou uma exposição virtual (inaugurada em 03 de abril). As cinco mesas-redondas, que contaram com a participação de estudiosos, professores e artistas, foram organizadas pelo Departamento de Ensino de Teatro da UNIRIO/PROEXC e estão disponíveis no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=X3l7LpTC4_A). Já a “Exposição Maria Clara Machado” foi montada a partir do arquivo da dramaturga e inclui fotos pessoais, cartazes de peças, capas de livros, os cadernos nos quais escrevia suas histórias à mão e uma correspondência trocada com o poeta Carlos Drummond de Andrade – a mostra pode ser visualizada no site da Casa de Rui Barbosa (http://rubi.casaruibarbosa.gov.br/handle/20.500.11997/17027). Segundo o jornal O Globo, há também uma versão 3D de “Pluft, o fantasminha” pronta e à espera da pandemia arrefecer para estrear nos cinemas.

Neste contexto de reconhecimento da obra de Maria Clara Machado e com o apoio financeiro concedido pelo Programa de apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da Fundação Biblioteca Nacional, o projeto colombiano Ediciones Mulato – parte da Fundación Teatro Musical Latinoamericano (MULATO) e da livraria Tienda Teatral – publicou “O Tablado: Antología de teatro infantil”. Com edição de Andrés Cháves e ilustrações de John Varón, a obra disponibiliza os textos de oito peças teatrais da dramaturga brasileira para a língua espanhola, em uma edição especial de capa dura contendo 400 páginas em uma tiragem inicial de 1000 cópias.  De acordo com a Ediciones Mulato, “[c]om este livro de luxo belamente ilustrado (que inclui 3 obras nunca antes traduzidas para o espanhol), reafirmamos a magia do teatro de María Clara e seu legado para o mundo do palco e da fantasia, para torná-lo atraente para leitores de todas as idades e incentivar a performance teatral, assim como o simples prazer de ler o teatro”.

Capa da publicação em espanhol com o apoio da FBN

Entrevistamos, por e-mail, o representante legal da Ediciones Mulato e responsável pela realização do projeto, Andrés Cháves:

Por que traduzir textos escritos por Maria Clara Machado há mais de 50 anos para a língua espanhola nos dias atuais?

Porque suas peças são muito bem pensadas para crianças, elas estão cheias de brincadeira, charme e poesia. Elas são compreensíveis para idades mais jovens, mas não são bobas, chatas ou simples. Maria Clara Machado usa o arquétipo como ferramenta para acessar todos os públicos, mas seus personagens têm dúvidas, coragem e não são planos. Mesmo no caso das obras serem representadas por grupos escolares, elas apresentam um equilíbrio de protagonismo entre vários personagens, com todos os elementos do teatro (atuação, figurino, música, dança, interpretação) o que torna as peças ideais para uso na escola.

Qual a importância das peças infantis da dramaturga para a cultura teatral colombiana?

Na década de 1960, havia uma forte tendência para o teatro de grupo em toda a América Latina. Particularmente na Colômbia com o fenômeno que conhecemos como “criação coletiva”. A essa altura, o teatro de Maria Clara Machado era novo e pertencia à vanguarda latino-americana que os atores teatrais da época gostavam de apresentar com seus grupos, pois ainda precisavam fazer teatro para crianças. Na Colômbia, as obras de Maria Clara vieram da amiga Dina Moscovicci, que emigrou para a Colômbia e fez parte da criação do grupo de teatro El Búho. Influenciou outros grupos teatrais colombianos, como o TPB-Teatro Popular de Bogotá, que apresentou “Pluft” (1970 e 1978) e “A meniana e o vento” (1970). Muitas pessoas do teatro se lembram dessas peças dos anos setenta. Sem dúvida, o teatro infantil de Maria Clara influenciou a dramaturgia infantil de autores colombianos como Carlos José Reyes ou Jairo Aníbal Niño. Naqueles anos, o Brasil era referência cultural para a Colômbia e para o mundo. Foi o boom da Bossa-Nova. Grupos de teatro colombianos apresentaram peças brasileiras como “Vida e morte severina”, de João Cabral do Melo; a influência das teorias teatrais de Augusto Boal estava perfeitamente alinhada com sua própria busca pelo “latino-americano”.

Dentre as 29 peças infantis escritas pela autora brasileira, como o senhor definiu os oito textos traduzidos e publicados pela antologia publicada pela Ediciones Mulato?

O objetivo era incluir as peças inevitáveis ​​de Maria Clara: “Pluft”, “O cavalinho”, “A menina e o vento… não podiam faltar. Mas inclui também algumas menos conhecidas, para inovar no conhecimento sobre sua obra na língua espanhola. Eu viajei para o Rio de Janeiro em 2019 e conheci Cacá Mourthé, sobrinha da autora e atual diretora do teatro O Tablado. Ela sugeriu os títulos, para esta antologia. Gostaríamos de conhecer e divulgar mais peças; mas oito já era um número grande para o escopo deste livro.

Com a tradução dos textos das peças teatrais para o espanhol, qual a difusão que o senhor acredita que a obra de Maria Clara Machado possa vir a ter nos países falantes da língua espanhola?

Queríamos fazer uma edição muito especial; uma edição de um livro de luxo, belamente ilustrado, para que seja atraente para todos os públicos, mas principalmente para as crianças. Os livros de teatro costumam ser simples e desleixados. Assim, o nosso compromisso com o projeto editorial Mulato é produzir livros que sejam bonitos e que as pessoas queiram valorizar. Inovar como editora especializada em artes cênicas. Há uma produção notável de livros infantis na América Latina, que quase nunca inclui o teatro em seus acervos. Assim, esperamos que com este livro, motivemos os leitores a ler teatro. Claro que em muitas faculdades, escolas e grupos eles também poderão representar as peças, o que seria o uso ideal das obras criadas por Maria Clara.

Mas com o livro único, já garantimos diversão e alegria. Estamos trabalhando em ações de médio prazo para a distribuição do livro nos principais países de língua espanhola. Esse é o trabalho árduo após terminar o livro, que é chegar às comunidades, aos profissionais do teatro e às escolas. Esse trabalho leva anos e é o que fazemos no dia a dia com nossa livraria Tiendra Teatral (www.tiendateatral.com ).

Qual foi a importância do apoio do Programa de Tradução da FBN para a concretização do projeto e a publicação da obra?

O apoio foi muito importante, já que o mercado de livros para teatro é muito pequeno. É quase impossível recuperar o investimento com a venda de livros, o que faz do trabalho editorial que temos uma utopia. No entanto, insistimos, e por isso quisemos fazer livros que ultrapassassem as expectativas de qualidade e design, para que fossem valorizados pelo público leitor. Sabemos que a rotação deste livro será lenta e provavelmente demorará muitos anos, mas estamos muito orgulhosos do resultado alcançado. Esperamos que seja base para múltiplas ações que permitam a integração cultural do teatro brasileiro com o do resto da América Latina.

Agradecemos imensamente o apoio do Programa da Biblioteca Nacional para esta publicação, bem como a liberdade que nos deram para conseguir um produto com o qual estamos muito satisfeitos.

Ilustrações que acompanham os textos de “Dragão verde” e “Pluft, o fantasminha”, respectivamente

A tradução dos oito textos publicados ficou a cargo de duas tradutoras. Falecida em 1987, Maria Julieta Drummond de Andrade traduziu “O rapto das cebolinhas” (1953); “A bruxinha que era boa” (1954); “Pluft, o fantasminha” (1955); “O cavalinho azul” (1959); “A menina e o vento” (1962). Marcia Cabrera Antia ficou responsável pela tradução de “Maria minhoca” (1967); “Tribobó city” (1971); “O dragão verde” (1983). Também entrevistamos, por e-mail, a tradutora Marcia Cabrera Antia:

Como foi traduzir Maria Clara Machado para o espanhol?

Foi uma experiência muito rica, interessante e ao mesmo tempo muito desafiadora. Principalmente foi muito interessante conhecer essas peças tão modernas e de certa forma transgressoras para a época. Por outro lado, antes de ser tradutora, eu me formei como artista cênica, tanto como atriz quanto como diretora. Trabalhei muito com crianças e dirigi muitas peças teatrais para crianças. Então, o tempo todo eu pensava como um diretor de teatro (rsrsrs). Nesse sentido, foi um processo de tradução muito dinâmico e divertido. Eu passei muito tempo nas rubricas de ação!

Mas também houve desafios. Um deles, em relação à tradução do ponto de vista do local. Eu acho que a tradução é uma prática eminentemente local: um texto traduzido deve responder à inteligibilidade e aos interesses da língua e cultura de chegada para ser eficaz como tradução, independentemente do efeito ou função específica a que se destina. Porém, neste caso, tratava-se de uma tradução para o espanhol, mas não exclusivamente para o espanhol “colombiano”: era preciso pensar em uma tradução que pudesse ser lida em todos os países hispano falantes. Claro, aqui na América Latina cada país tem sua própria gíria. Então tive que fazer muitas e difíceis escolhas culturais, não tanto linguísticas.

Na mesma linha, pensando que a tradução é uma prática histórica, enraizada em situações culturais de momentos históricos específicos, outro desafio me foi apresentado, principalmente com alguns trechos das peças onde apareciam questões de gênero. Entendo que certamente foram divertidas na época – eu sei, porque eu mesma sou uma filha desta geração –, mas também acho que são sem dúvida questões que estão sendo pensadas hoje, e que estão ganhando grande relevância no momento. Nesse sentido, eu estava diante de um dilema ético: se eu deveria adaptar aquelas frases que poderiam eventualmente se referir a um problema de gênero ou respeitar o original, deixando de lado a discussão. Devo confessar que aqui novamente, eu estava pensando como a criadora da cena, como diretora e professora. Mas tive que desistir desse papel e retornar ao papel de tradutora e, neste caso, tive que tomar mais decisões linguísticas do que culturais.

Embora seja colombiana, você já morou no Brasil por quatro anos (2006-2009) para pesquisar cantos tradicionais e a cultura popular do Nordeste. Como compreende a relação entre a obra da dramaturga e a formação da cultura brasileira?

Sinto que Maria Clara Machado reflete em seu trabalho sobre um presente, um despertar cultural que estava ocorrendo no Brasil naquela época, principalmente na região do Rio de Janeiro. É bem conhecido que Maria Clara Machado foi uma das principais protagonistas de um processo de transformações intensas vivido pela sociedade brasileira na segunda metade do século XX. Com uma produção de peças tão robusta e impressionante, não tenho dúvidas de sua influência na formação não só da cultura brasileira, mas também de várias gerações de atores, atrizes e pessoas do teatro que até hoje continuam a transmitir seu importante legado.

Há ressonância no que a autora propõe em seus textos teatrais e o imaginário colombiano?

Eu diria que sim, já que muitas de suas peças fazem referência a um imaginário mais universal ou comum que foi criado na América Latina a partir de empréstimos de outras culturas, ou de clássicos da literatura universal. Entretanto, uma das coisas que mais aprecio no trabalho de Maria Clara Machado é a importância que ela dá ao local, e como ela consegue transformar peças ou histórias universais em histórias locais, com paisagens e personagens muito autóctones e autênticos. E isto é algo que também é feito muito na literatura infantil colombiana.

Qual é a sua perspectiva sobre o Programa de Tradução da Fundação Biblioteca Nacional para a disseminação da cultura e literatura brasileiras no exterior?

Eu acho que é um programa extremamente importante. Sou uma fervorosa seguidora da produção literária, cultural e artística brasileira. Mas também estou ciente da dificuldade que a língua brasileira apresenta para os falantes de espanhol – pois é muito mais fácil para os brasileiros entenderem o espanhol do que para aqueles que falam espanhol entenderem o português – e que a grande obra literária do Brasil tem sido traduzida em uma porcentagem muito pequena para o espanhol. É por isso que celebro a existência deste programa e estou feliz por ter feito parte desta experiência e poder contribuir para que muitas crianças em meu país e em outros países da América Latina tenham a oportunidade de crescer e ser formadas com a vasta e importante obra de Maria Clara Machado. 

Trecho traduzido para o espanhol de “O cavalinho azul” (1959)

Fontes consultadas:

CALAZANS, Ricardo. A desbravadora Maria Clara Machado faz cem anos. In: O Globo, 02 de abril de 2021. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/a-desbravadora-maria-clara-machado-faz-cem-anos-24951819

Com Cacá Mourthé e Louise Cardoso, ‘Conversa’ celebra centenário de Maria Clara Machado: ‘Espírito de moleca, chapliniana, mas muito disciplinadora’. In: Portal GShow, 27 de maio de 2021. Disponível em: https://gshow.globo.com/programas/conversa-com-bial/noticia/com-caca-mourthe-e-louise-cardoso-conversa-celebra-centenario-de-maria-clara-machado-espirito-de-moleca-chapliniana-mas-muito-disciplinadora.ghtml

Maria Clara Machado – Biografia. In: Site de O Tablado. Disponível em: http://otablado.com.br/texto/3/maria-clara-machado-biografia

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BALANÇO DOS 30 ANOS DO PROGRAMA DE TRADUÇÃO (1991-2021)

Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior retomou seu fluxo habitual em 2021. A adaptação às novas condições de trabalho impostas pela pandemia da COVID-19, assim como a reformulação da equipe responsável pelo Programa, constituiu uma excelente oportunidade de balanço dos 30 anos de sua realização pela Fundação Biblioteca Nacional.

Realizado em cooperação com o Ministério das Relações Exteriores, o Programa de Tradução objetiva a concessão de apoio financeiro a editoras estrangeiras que desejam traduzir para qualquer idioma, publicar e distribuir no exterior, em forma de livro impresso ou digital, obras de autores brasileiros anteriormente publicadas em português no Brasil.

De 1991 a 2019 — período anterior ao do Edital hoje vigente — foram concedidas e aprovadas 1.114 bolsas de tradução que, em sua totalidade, fazem cumprir a missão do Programa de Tradução de difundir a cultura e a literatura brasileiras no exterior.

A lista dos 10 autores cujas obras mais receberam bolsas conjuga clássicos com contemporâneos demonstra ecletismo na divulgação da literatura e da produção intelectual brasileira.

De um total de 350 autores contemplados pelo Programa, Clarice Lispector é a mais traduzida, com 60 obras, 50 delas publicadas globalmente nos últimos dez anos, o que demonstra o crescente interesse pela autora.

No que tange aos gêneros literários apoiados, entre 2010 e 2019, as obras de ficção receberem 658 bolsas de tradução, seguidas da não-ficção (132), poesia (73), literatura infantil e juvenil (58), histórias em quadrinhos (29) e teatro (9). Os números comprovam a versatilidade do Programa e a preocupação da Fundação Biblioteca Nacional em difundir internacionalmente a literatura brasileira em sua amplitude e diferentes facetas.

A língua e o país de destino são aspectos fundamentais para que a promoção e a divulgação da cultura e literatura brasileiras no exterior produzam resultados positivos e efetivos. Neste sentido, o continente europeu tem assegurado a maior parcela das concessões, sendo a Espanha e a França os países que mais receberam apoio financeiro entre 1991 e 2019 (126 bolsas cada), seguidas da Itália (107) e Da Alemanha (103). As Américas aparecem em seguida, com destaque para Argentina (78) e Estados Unidos (67).

Acerca dos idiomas para os quais as obras brasileiras têm sido traduzidas com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional, o espanhol lidera a lista com 224 bolsas recebidas entre 2010 e 2019. O inglês é o segundo idioma mais traduzido, com 106 bolsas. A lista segue com o francês (104 bolsas), o alemão (97) e o italiano (88).

Sintetizamos os resultados do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior entre os anos de 1991 e 2019 com os gráficos que seguem:

O Edital 2018-2020, estendido até 6 de junho de 2021, certamente foi afetado pela pandemia da COVID-19, que obrigou a desacelerar as atividades e adaptá-las ao trabalho remoto. Foram selecionados 53 projetos para a concessão de apoio financeiro. Os resultados podem ser vistos nos links a seguir:

Resultados do Programa de Tradução (Edital 2018-2020): https://www.bn.gov.br/edital/2018/programa-apoio-traducao-publicacao-autores-brasileiros

1ª. Reunião (agosto de 2018 – realizada antes da pandemia):

https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/editais/2018/programa-apoio-traducao-publicacao-autores-brasileiros/resultado-programa-apoio-traducao-publicacao-autores_1.pdf

2ª. Reunião (abril 2019):

https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/editais/2018/programa-apoio-traducao-publicacao-autores-brasileiros/resultado-programa-apoio-traducao-publicacao-autores_5.pdf

3ª. Reunião (outubro 2019):

https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/editais/2018/programa-apoio-traducao-publicacao-autores-brasileiros/resultado_reuniao_03_out_19.pdf

Sugestão de leitura:

GABRIEL, Ruan de Sousa. Best-sellers como ‘Torto arado’ e séries adaptadas são apostas para literatura brasileira abrir mercado externo. In: O Globo, 19 de junho de 2021. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/best-sellers-como-torto-arado-series-adaptadas-sao-apostas-para-literatura-brasileira-abrir-mercado-externo-25068523

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