Nelson Rodrigues | Dezembro, 1980

1980, 22 de dezembro, capa do Jornal do Brasil, uma caricatura e dois parágrafos que dão notícias do falecimento de Nelson Rodrigues. O escritor,  jornalista e dramaturgo morrera um dia antes, de insuficiência vascular cerebral. Depois de sete paradas cardíacas e a implantação, “como último recurso”, de um marca-passo, o jornal relata como se buscasse emular o estilo do autor em suas crônicas sobre futebol ou descrevesse uma cena de suas tragédias cariocas.

A edição do jornal pode ser consultada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional: http://memoria.bn.br/DocReader/030015_10/18056.

Peças, crônicas e a ficção de Nelson Rodrigues já foram traduzidas para o alemão, coreano, espanhol, francês, inglês, hebraico, italiano e polonês. Neste fim de dezembro, com a passagem dos 37 anos de sua morte, destacamos as  obras do autor publicadas recentemente no exterior com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional |Ministério da Cultura.

Capas_Nelson

Da esquerda para a direita:

הנשיקה על האספלט [O beijo no asfalto], traduzido por Tal Goldfajn. Ramat HaSharon: Asia, 2015.

Abito da esposa – Doroteia [Vestido de noiva & Doroteia], traduzido por Briana Zaki e Guilermo Pivari. Bolonha: I Libri di Emil, 2014.

La Défunte (suivi de) Pardonne-moi de me trahir  [A falecida & Perdoa-me por me traíres], traduzido por Angela Leite Lopes, Alexandra Moreira da Silva, Thomas Quillardet, Marie-Amélie Robilliard. Besançon: Les Solitaires Intempestifs, 2017.

O homem fatal [Seleção de crônicas a partir de “O óbvio ululante”, “A cabra vadia e “O reacionário”]. Seleção e prefácio de Pedro Mexia. Lisboa: Tinta da China, 2016.

A vida como ela é… . Seleção e prefácio de Abel Barros Baptista. Lisboa: Tinta da China, 2016.

O casamento. Lisboa: Tinta da China, 2017.

La vida tal cual es, 1 e 2

 

 

La vida tal cual es [A vida como ela é], traduzido por Cristian de Nápoli*. Buenos Aires: Adriana Hidalgo, 2012 (volume I) e 2014 (volume II).

 

 

* O tradutor Cristian de Nápoli participou do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil 2012/2013  com o projeto de tradução de uma seleção de contos da série “A vida como ela é”.

∗ ∗ ∗

Nelson Rodrigues (Recife-PE, 23/08/1912– Rio de Janeiro-RJ, 21/12/1980)

Verbete extraído do Guia conciso de autores brasileiros = Brazilian Authors Concise Guide, organizado por Alberto Pucheu e Caio Meira, versão inglesa realizada por Ernesto Lima Veras e Mariézer da Silveira e Sá | Fundação Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2002.

Apesar de ele ter dito que toda unanimidade é burra [uma de suas inúmeras frases antológicas], não resta a menor dúvida de que Nelson Rodrigues é uma das mais inteligentes do país. Esse jornalista, que transformou as páginas futebolísticas em verdadeiro épico nacional, as crônicas diárias em manifestações do ser do temperamento brasileiro e suas próprias memórias em um drama envolvente e desconcertante, causou a maior revolução no teatro nacional, levando-o, pela primeira vez, a uma dimensão a um só tempo cosmopolita, universal e contemporânea. Introduzindo inúmeras inovações capazes de surpreender a crítica e o público, sua linguagem coloquial chocou os beletristas da época. Com grande coesão temática e estrutural, além de um amplo espectro de questões existenciais, sua dramaturgia foi dividida em três grupos: o mítico, o psicológico e o das tragédias cariocas. Por entre peças, contos, romances e crônicas, o escritor nos legou um elenco de frases e personagens cravados na memória brasileira como arquétipos dos abismos da condição humana.

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In spite of having said that all that is unanimous is stupid [one of his many anthological sentences], Nelson Rodrigues is doubtlessly one of the most brilliant unanimity in the country. As a journalist, he changed the soccer pages into true national epic, his daily column into manifestations of the Brazilian people’s innermost temperament, and his own memoirs into an involving and disconcerting drama. He brought about the deepest revolution ever in the national dramaturgy, leading it, for the first time, to a dimension that was at the same time cosmopolitan, universal and contemporary. By introducing a number of innovations capable to take both the critic and the audience aback, his colloquial language shocked the belletrists of his time. Showing a cogent thematic and structural cohesion, besides a wide spectrum of existential themes, his dramaturgy was divided into three categories: the mythical, the psychological and the carioca tragedies. Permeating his plays, stories, novels and newspaper columns, the writer bequeathed a collection of sentences and characters that remained nailed to the Brazilian memory like archetypes of the human condition abysses.

 

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Nelson Rodrigues em 1949. Foto Carlos. Cedoc/Funarte.

 

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