Pathé-Baby, reportagem modernista e subjetiva de Alcântara Machado, ganha edição francesa

Pathe_babycapaO livro Pathé-Baby, reunião de crônicas de viagem do modernista Antônio de Alcântara Machado, publicado pela primeira vez em 1926 com prefácio de Oswald de Andrade, acaba de ser lançado na França (com apoio da FBN) pela Editions Petra, com tradução e posfácio crítico de Antoine Chareyre. Lisboa, Paris, Londres, Milão, Veneza, Barcelona, Madri, entre outras, são algumas das cidades europeias desconstruídas nessas reportagens altamente subjetivas e fortemente engajadas na literatura, a par com o projeto modernista, no qual Alcântara Machado estava profundamente envolvido.

De acordo com o tradutor, Pathé-Baby deve ser lido como livro que desorienta, “algo como uma revisão das coordenadas mentais de uma coletividade nacional”. Chareyre acredita que a obra põe em questão a visão do brasileiro – e do latino-americano em geral – a respeito de todo o continente europeu. Profundamente enraízado em São Paulo, autor de obras modernistas como Brás, Bexiga e Barra Funda (Notícias de São Paulo), Alcântara Machado contribui com seus instantâneos para a reflexão de questões como nacionalismo e cosmopolitismo.

A seguir,  trecho de sua crônica sobre Paris, na tradução de Chareyre:

Dans un coin, tournés contre le mur, têtes unies, baissées, le garçon et la fille tremblent. Le Brésilien, de la table la plus proche, risque un coup d´oeil, et sirote sa limonade. Tout rouge.

SAMBA, dit la pancarte de l´autre orchestre.

Matchiche de Saint-Guy. Délire des jambes qui se croisent et se frottent. Tournoiement fou de corps unis. Gymnastique et désarticulation de tous les membres. Contorsions. Équilibrisme. Volte-face. Dans le vertige, dans la jouissance, dans le spasme, le respect humain disparaît. Le prochain n´existe plus. Personne n´a  d´yeux pour ce qui se passe autour. Qui veut embrasser, embrasse. Qui veut peloter, pelote. (p. 56)

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Uma resposta para Pathé-Baby, reportagem modernista e subjetiva de Alcântara Machado, ganha edição francesa

  1. Chareyre disse:

    Uma resenha sobre esse livro, escrita pelo critico e pesquisador brasileiro Augusto Massi, acaba de ser publicada na revista Europe, n°1012-1013, agosto-setembro de 2013.

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