O desafio borgiano de traduzir Vilém Flusser. Versão para o inglês supre lacuna nos EUA

roktabstop-FlusserO filósofo Vilém Flusser (1920-1991), natural de Praga, viveu muitas  décadas no Brasil e escreveu boa parte de sua obra em português.  No entanto, a maioria das traduções da sua obra disponíveis nos EUA se baseia em textos escritos em língua alemã.  Para suprir essa lacuna, a editora americana Univocal acaba de publicar, com apoio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), o livro Post-History, do filósofo, traduzido por Rodrigo Maltez Novaes, tendo como fonte principal a edição publicada em 1983 pela editora brasileira Duas Cidades.

Flusser elaborou diferentes versões da obra: uma francesa (parcial), duas em português, duas em alemão e uma em inglês (parcial).  Todas foram consultadas para a nova edição, conta o tradutor. Nos anos 1970, quando voltou a morar na Europa, o filósofo passou a adotar a tradução como método para retrabalhar as diferentes versões; Post-History foi o primeiro dessa série. Conforme escreve Novaes na introdução, ele “aprimorava o texto ao ser forçado a levar em conta as diferentes posições ontológicas impostas pelas diferentes línguas”.

Dos originais disponíveis no Arquivo Vilém Flusser na Universität der Künste, em Berlim, estima-se que apenas 30% foram publicados, e a maioria em alemão ou em português. No entanto, “as poucas traduções para o inglês que se tornaram disponíveis desde 2011 foram todas traduzidas de versões alemãs, o que indica um desequilíbrio na balança que favorecia apenas uma específica faceta do trabalho de Flusser, ou seja, seus textos em alemão”, diz Novaes.

Agora a situação poderá mudar. A Univocal programa para setembro o lançamento de outro livro de Flusser traduzido diretamente do português também por Novaes, com o apoio da FBN: Natural Mind.  Os volumes são editados por Siegfried Zielinski, diretor do Arquivo Vilém Flusser, em Berlim.

O desafio de lidar com sua obra é grande. “O pesquisador ou tradutor da obra de Flusser é imediatamente apresentado a um labirinto borgiano de diferentes versões, publicadas ou inéditas, tornando a procura por uma versão final ou verdadeira uma tarefa impossível”, testemunha Novaes sobre o trabalho que enfrentou.

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