Obra clássica de Antonil ganha tradução minuciosa nos EUA

 “A good sentence in Portuguese is hopeless in English. It is unclear, flowery, redundant, and filled with run-on constructions. The process of changing Portuguese syntax and sentence structure into English is a tricky one”.

coatesbookO depoimento sobre as dificuldades de traduzir a língua portuguesa para o inglês é do professor Timothy J. Coates, do Departamento de História do College of Charleston, nos EUA, que verteu Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, do jesuíta André João Antonil, clássico do período colonial brasileiro, de 1711. A edição americana, com o título Brazil at the Dawn of the Eighteenth Century, publicada no fim do ano passado pela Tagus Press da Universidade de Massachusetts Dartmouth com a apoio da FBN, é um dos mais relevantes lançamentos do Brasil no exterior em 2012. Coates realizou seu trabalho tendo como base a tradução iniciada em 1961 pelo eminente professor Charles Boxer.

As anotações de Boxer ficaram por anos arquivadas na Lilly Library da Universidade de Indiana. Na introdução da nova edição, Coates conta que poderiam ter continuado lá indefinidamente, não fosse o trabalho de Dauril Alden, que no fim de sua biografia de Boxer listou os projetos inacabados do historiador. A tradução parcial do clássico de Antonil – que Sérgio Buarque de Holanda considerava a mais detalhada descrição da vida econômica do Brasil colônia, indispensável a historiadores – chamou a atenção de Coates. “A tradução dessa obra fundamental para a história do Brasil colonial, iniciada por uma figura tão importante quanto Boxer, devia ser finalizada e publicada o quanto antes”, destacou na introdução.

O livro foi editado na coleção Classic Histories from the Portuguese-Speaking World in Translation, da Tagus Press, com prefácio de outro eminente historiador, Stuart B. Schwartz, da Universidade de Yale. De acordo com Schwartz, a tradução francesa do clássico, de 1965, considerada excelente, seria a razão de Boxer ter deixado de lado o projeto. Exemplares da primeira edição, publicada em Portugal em 1711, são raros, porque o governo português proibiu na época a circulação do livro, com medo de que revelasse informações sobre a localização de minas de ouro em exploração no Brasil.

No site do College of Charleston, Coates conta que chegou a trabalhar mais de dois anos na tradução das partes mais complicadas da obra.

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