Mesa “O Autor e seu Tradutor” enriquece o debate durante a oficina EntreNosOtros

O tradutor Rodolfo MataNo dia 14 de novembro, para enriquecer a discussão sobre a tradução de poesia, os participantes da oficina EntreNósOtros – Sujeitos culturais e Miragens Literárias da tradução Espanhol-Português-Espanhol, participaram de uma mesa redonda, intitulada “O Autor e seu Tradutor”. A mesa, também aberta ao público, contou com a participação do mexicano Rodolfo Mata, integrante do grupo da oficina, e do poeta paulista Fabio Weintraub, autor do livro “Baque” – que Rodolfo está traduzindo para o espanhol.

O evento foi realizado no Instituto Cervantes de Porto Alegre e teve o apoio de seu diretor, Oscar Pujol, que declarou ser um prazer receber os participantes da oficina: “É um trabalho fundamental. Fico feliz em ver que a tradução superou seu status de traição e esteja assumindo o papel de ponte entre línguas”, afirmou.

Fabio abriu a discussão falando sobre sua poesia, que tem como temática o cotidiano, desigualdades e construções sociais exclusivas. Segundo ele, o tema já foi usado por outros poetas, mas, hoje, uma nova geração de poetas começa a trabalhá-lo de uma forma diferente. “A ideia é enguiçar o discurso e causar estranheza”, afirmou. Para exemplificar o que dizia, Fabio usou um dos poemas de “Baque”, “A Ocasião Faz o Ladrão”. Inspirado numa reportagem da Folha de São Paulo, o poema incluiu frases completas da matéria, enunciadas por um delegado de polícia. “Queria denunciar essa mercantilização do crime, que não tenta resolver o problema, mas acaba culpando a vítima pelo que acontece”.

Rodolfo, que já traduziu Paulo Leminski e Haroldo de Campos para o espanhol e foi responsável pela publicação de uma antologia de poesia brasileira no México, elogiou muito o trabalho de Fabio e o ressurgimento de uma poesia brasileira do cotidiano. “É uma poesia que mistura naturalidade e consciência da realidade”, afirmou, antes de falar especificamente sobre os desafios da tradução do poema usado como exemplo por Fabio. “Tem muitas expressões dadas e um tom de oralidade que é preciso manter”. Em seguida, Rodolfo convocou os colegas de oficina a ajudá-lo a encontrar soluções para algumas das expressões presentes no texto. A discussão se expandiu, e a mesa terminou com toda a plateia fazendo sugestões para a tradução de outros trechos desafiadores dos poemas de Fabio.

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