Oficina EntreNósOtros – veja como foi o terceiro dia

Rodrigo Valdés

Os ensaios foram tema do terceiro dia da oficina EntreNósOtros – Sujeitos culturais e Miragens Literárias da tradução Espanhol-Português-Espanhol, uma realização da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional – FBN/MinC. Dois tradutores apresentaram seus projetos com base no tema: Guilherme Puccini, que traduz “El tema de nuestro tiempo”, do espanhol José Ortega y Gasset, e Rodrigo Valdés, que está trabalhando com “Limites da Voz – Kafka: diante da lei”, do brasileiro Luiz Costa Lima.

Durante a discussão, uma das principais questões a surgir foi a necessidade ou não de simplificar a escrita de ensaístas e acadêmicos, normalmente mais rebuscada. Por exemplo, Guilherme explicou que, no livro que traduziu – uma transcrição de um curso dado por Ortega –, o autor tentou manter a oralidade, apesar de ser um texto escrito, para que a obra se tornasse mais acessível ao público. “No entanto, por mais que tente ser acessível, às vezes o texto é um pouco hermético”, diz ele. “E eu gosto de manter essas estranhezas e não de olhar muito para o uso, ainda mais com um filósofo poeta, que traz novidades para a escrita”.

Outra discussão interessante foi sobre como textos acadêmicos – diferente da ficção – permitem e até são um incentivo para que o tradutor use notas de rodapé. Para os participantes da oficina, esse tipo de ensaio teórico exige que o tradutor explique as questões que teve que enfrentar ao traduzir o texto, de modo a melhor explicar a teoria defendida pelo autor. O projeto de Rodrigo também foi uma oportunidade para os participantes discutirem como devem ser traduzidas as citações que aparecem em textos acadêmicos, ou seja, se o tradutor deve buscar traduções já consagradas da obras ou se deve traduzi-las também. O grupo não chegou a um consenso, mas todos foram unânimes ao afirmar que a escolha do tradutor por uma ou outra opção deve ser salientada numa nota no início do texto.

Guilherme Puccini

Uma situação engraçada também surgiu durante o terceiro dia. Um dos trechos do original de Ortega apresentados por Guilherme não fazia muito sentido – por isso, o tradutor resolveu compartilhá-lo com os colegas da oficina. No fim, o grupo descobriu que se tratava de um erro de impressão e que a frase realmente não deveria estar onde estava. “Como estamos vendo, o tradutor não tem que lidar apenas o texto em si”, afirmou Pablo Cardelino, tradutor participante da oficina.

 

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