EntreNósOtros – confira como foi o segundo dia de oficina

Rodolfo Mata e Bárbara Pessoa

O segundo dia da oficina EntreNósOtros – Sujeitos culturais e Miragens Literárias da tradução Espanhol-Português-Espanhol, uma realização da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional – FBN/MinC, foi dedicado à poesia e ao teatro. Quatro profissionais apresentaram suas traduções: as brasileiras Bárbara Pessoa e Flávia Dorneles e o mexicano Rodolfo Mata e o uruguaio Esteban Campanela. Por serem todas traduções com restrições muito específicas em termos de linguagem, métrica ou público, além das questões linguísticas propriamente ditas, foram discutidos alguns problemas muito interessantes, como a importância do ritmo numa tradução.

A questão fica muito clara em traduções de poesia, já que questões como a métrica do poema ou o uso de assonâncias ou aliterações devem ser mantidos. “Ajuda muito ler a tradução em voz alta”, afirmou Bárbara durante a apresentação de sua tradução do livro de poesia em prosa “Espantapájaros – al alcance de todos”, do argentino Oliverio Girondo. Rodolfo, que traduz o livro “Baque”, do paulista Fabio Weintraub, completou: “O poeta não escreve as coisas livremente. Há muito trabalho na poesia. Temos que pensar nisso ao traduzir para manter as características do poema”.

Esse mesmo trabalho teve que ser levado em conta por Flávia, que traduziu um livro de aforismos do espanhol Diego Chozas. Durante sua apresentação, muito se discutiu sobre a necessidade de adaptação para que a tradução tenha o mesmo efeito do original e as referências culturais e jogos de palavras sejam mantidos. “Tentei às vezes transformar as frases para o português para que não deixassem de ter a força do espanhol. Nesse caso, a mudança era feita para manter as imagens, para ser mais fiel ao texto e provocar a mesma coisa que o autor queria provocar”, diz ela.

Esteban Campanela e Flávia Dorneles

A questão da necessidade de adaptação também apareceu na apresentação de Esteban, que traduziu e montou a peça “Mi Muñequita”, do uruguaio Gabriel Calderón. “Tivemos que adaptar muitas coisas para que o público brasileiro entendesse, como músicas que são referências para os uruguaios, mas que, para os brasileiros, não teriam a mesma força”, afirmou. Além disso, o tradutor também falou muito sobre a influência dos atores, do diretor e do público-alvo sobre a tradução. “Algumas das escolhas que fiz acabaram sendo modificadas no palco”, disse, para depois completar: “Acho que traduzir teatro é quase se transformar em dramaturgo. Ao traduzir, vamos montando uma obra diferente na nossa cabeça”.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Programa de Apoio à Tradução. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s