EntreNósOtros – veja como foi o primeiro dia de oficina

O tradutor Marcelo Barbão

Começou ontem, dia 12 de novembro, a oficina EntreNósOtros -Sujeitos culturais e Miragens Literárias da tradução Espanhol-Português-Espanhol, uma realização da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional – FBN/MinC. O objetivo do projeto é criar relações permanentes entre tradutores literários e intensificar a cooperação nessa área, além de divulgar a literatura brasileira no exterior. Durante o encontro, que dura uma semana, profissionais poderão trocar experiências, debater sobre as condições de trabalho de seus países, além de ter a oportunidade de escolher o texto com o qual trabalharão, algo que nem sempre é possível no mercado.

A oficina foi aberta pelos professores Rodrigo Labriola e Ana Isabel Borges, da UFF, responsáveis pela elaboração da programação e mediadores da oficina. Os dois explicaram que os textos propostos haviam sido divididos de forma pensada, de modo a agregar estilos e gêneros, juntando também problemática e questões.

“Sabemos que muitos problemas vão se repetir, mas, desse modo, reuniremos questões básicas e poderemos discutir problemáticas diferentes a cada dia”, afirmou Rodrigo. “Muitas vezes, as oficinas se concentram em aspectos léxicos ou sintáticos. Nós vamos ver isso, mas queremos ter uma visão de conjunto. Isso porque as escolhas básicas ou mínimas são feitas de acordo com uma ideia que o tradutor tem da obra. Por isso pedimos que os tradutores apresentassem um trecho maior do texto literário trabalhado. Assim, os outros tradutores terão uma visão mais ampla do texto que estão discutindo com seus colegas e os obstáculos que aparecerem poderão ser resolvidos a partir de uma lógica de resolução e não um a um”.

Entre os textos escolhidos, há textos canônicos e contemporâneos, de poesia e prosa ou até poesia em prosa. Essa diversidade se reflete nos tradutores: são tradutores de várias nacionalidades, experientes ou não, todos unidos por um objetivo: discutir e difundir a literatura de seus país.

A tradutora María Cristina Escobar

Foi o que fizeram os três primeiros a se apresentar: Pablo Cardelino, María Cristina Hernández Escobar e Marcelo Barbão. Pablo está responsável pela tradução do livro “Pitanga”, de Carlos Eduardo Magalhães (Grua Livros, 2008). Sua tradução faz parte de um projeto de parceria da Grua Livros, de São Paulo, e a Editora Yaugurú, de Montevideo que vai traduzir 6 autores uruguaios para o português e 6 autores brasileiros para o espanhol. O projeto tem apoio da Fundação Biblioteca Nacional. Já María Cristina, mexicana, está traduzindo Luiz Ruffato pela segunda vez. A obra escolhida foi “Inferno Provisório II: o mundo inimigo”. Marcelo, brasileiro, traduz um livro de realismo fantástico: “Dórberman”, do argentino Gustavo Ferreyra.

O tradutor Pablo Cardellino

Os três, muito experientes, estão trabalhando com livros em que a escrita se concretiza como um fluxo de pensamento, com um estilo às vezes muito informal e que não respeitam necessariamente a pontuação considerada gramaticalmente correta. Além disso, são livros cheios de referências à história ou aos costumes de seus países.

Por causa disso, questões como a melhor maneira de lidar com palavras muito características do português ou do espanhol – como nome de flores ou de comidas – foram discutidas. A maioria dos tradutores se mostrou avessa ao uso de notas de rodapé, considerado invasivo demais. Para muitos dos profissionais presentes na oficina, elas tiram a atenção do leitor. Também foi discutido o uso de gírias e expressões muito características de uma região ou de um país – dada a diversidade de origens dos falantes do espanhol, isso foi notado nas traduções. Por outro lado, foi lembrado que o tradutor não pode deixar de traduzir com suas história e experiência, daí a utilização natural desse tipo de expressão.

Os três estão traduzindo autores vivos, aos quais têm acesso, e salientaram a importância de conversar com eles para tirar dúvidas sobre determinadas passagens do texto. E, por fim, todos chamaram atenção para a necessidade de criar imagens correspondentes às criadas pelos autores, de modo que soassem tão naturais na língua de chegada quanto para os leitores do original. “Eu gostaria de, com a minha tradução, unir os universos do autor e do leitor”, afirma María Cristina.

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