Romances de Hilda Hilst serão publicados na Argentina

A escritora Hilda Hirst n- foto cedida pelo Instituto Hilda Hilst

Imagine uma linda moça do início de 1950. Filha de um pai esquizofrênico, ela tem uma vida social intensa, escreve “obscenidades”, cria realidades fantásticas e escandaliza a sociedade tradicional, sem nunca deixar de encantar homens de negócios, poetas como Vinícius de Moraes e atores como Dean Martin, que se apaixonam por ela.

Quem foi esta mulher cuja vida daria um filme? Uma poeta, dramaturga e romancista brasileira: Hilda Hilst. Ganhadora dos mais importantes prêmios literários brasileiros, sua ficção e sua poesia falavam sobre temas muito próximos a ela e muitas vezes abordavam assuntos polêmicos, como a homossexualidade e a insanidade. Hilda escreveu por quase 50 anos, inspirou vários compositores que usaram suas obras em músicas e foi traduzida para várias línguas, incluindo francês, italiano, inglês, alemão e espanhol.

Agora, oito anos após sua morte em 2004, seus trabalhos estão sendo revisitados. Dois de seus livros serão publicados na Argentina pela editora Cuenco El del Plata em 2013. As novas edições estão sendo apoiadas pelo Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros, criado pela Fundação Biblioteca Nacional do Brasil. Duas escritoras e poetas, Teresa Arijón e Bárbara Belloc, serão responsáveis por traduzir dois romances, “A Obscena Senhora D.” e “Cartas de hum Sedutor”, para o espanhol pela primeira vez.

“Acreditamos que as obras de Hilda sejam verdadeira literatura. Uma literatura que assume riscos temáticos e formais e que os explora. Parece impossível pensar que qualquer bom leitor e amante da literatura, de qualquer lugar do mundo, possa se sentir alheio a esses livros”, explica Teresa.

As duas citam a dificuldade do estilo de Hilda Hilst como outra razão para aceitar o projeto. “Parecia um desafio para nós, como tradutoras”, afirmam. “O estilo que ela usa, a gíria bem misturada com a linguagem formal, o ritmo… Vamos ter de encontrar nas palavras da nossa língua termos igualmente engenhosos, alusivos e musicais para traduzir as supostas obscenidades que ela usa em Português”.

As duas escritoras já traduziram outra autora brasileira, Clarice Lispector, para o espanhol e têm planos de traduzir mais escritores brasileiros nos próximos anos: “Traduzir Clarice era, quase sempre, uma festa. E nos ajudou a compreender e amar a língua portuguesa acima de tudo. Por isso, também nos ajudou a traduzir Hilda. Mas os trabalhos de Hilda são únicos em sua diversidade e apresentam seus próprios desafios. Ambas autoras buscam uma resposta para a condição humana dolorosa e volátil, mas Hilda faz isso através de uma incompreensão rebelde e suave. Enquanto os personagens de Clarice parecem ser mais observadores do mundo, os de Hilda não entendem seus corpos e acabam usando-os ao extremo”.

Além de na Argentina, cinco livros de Hilda Hilst serão traduzidos para o inglês por vários tradutores e publicados nos EUA pela Nightboat Books. Um dos tradutores, Adam Morris, inclusive virá ao Instituto Hilda Hilst, em São Paulo, especialmente para iniciar a tradução de “Com Meus Olhos de Cão”, que recebeu o Susan Sontag Prize, uma bolsa para profissionais que traduzem do português.

Se você quiser saber mais sobre Hilda Hilst, acesse o site do instituto: http://www.hildahilst.com.br.

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