Editora alemã publica “O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente”

No blog escrito sobre o mês que passou no Japão, João Paulo Cuenca narra: “Entrei num arranha-céu em Shinjuku procurando algo para comer num sábado desértico. Depois descobri que o prédio tinha o maior vão interno do mundo, que guardava o maior relógio d’água do planeta. Típico da minha experiência japonesa: encontrar o que não se espera em caminhadas banais, esbarrar com o inusitado o tempo inteiro”.

O livro que surgiu desta experiência tem esse lado inusitado. “O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente”, publicado em 2010 pela Companhia das Letras como parte do projeto “Amores Expressos”, conta a história de um jovem japonês apaixonado por uma garçonete polonesa-romena e do pai do jovem, um poeta veterano poderoso que mantém uma relação com uma boneca inflável. Lançado também em Portugal e na Espanha, o livro acabou de ser publicado em alemão pela editora A1 Verlag com o apoio do Programa de Incentivo à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior.

“É um livro ‘maluco’, situado num ambiente fantasiado. Ele fala de amor e de tragédia numa linguagem inspirada nos filmes trash, mas sem ser trash em momento algum. Enfim: é um livro extremamente inteligente, muito emocionante e melodioso”, explica Michael Kleger, tradutor do livro para o alemão. “Sem contar que a característica mais visível do livro é que ele não fala sobre o Brasil. Acho isso notável e, para a Alemanha, de certa maneira provocador”.

Kleger, que começou a tradução antes mesmo que uma editora se comprometesse a publicar a obra, explica que não foi difícil encontrar interesse pelo livro na Alemanha: “Conheci o livro através da edição portuguesa, quando estive no festival Correntes d’Escritas em Póvoa de Varzim. Foi lá que também conheci o autor. Então, em 2011, nos reencontramos no mesmo Festival, e combinamos – meio por brincadeira – de fazer algumas sessões literárias na Alemanha, para onde o João Paulo Cuenca pretendia viajar. Já na segunda leitura, em Munique, havia gente da editora A1 na plateia. Eles gostaram das quatro páginas que lemos naquela noite e já tinham trabalhado comigo. Assim me tornei tradutor oficial do João Paulo Cuenca”.

Um pouco mais difícil foi realizar a tradução propriamente dita: “Felizmente, a melodia do livro ficou bem clara para mim logo nessas quatro páginas. Este é sempre o maior desafio: pegar a melodia, o ritmo do livro. Difícil foi, depois, fazer esta melodia brilhar em alemão”. Mas ele explica que teve um privilégio: “Em caso de dúvidas, pude sempre perguntar o autor. Ajuda muito quando o autor responde os e-mails do tradutor”.

Um dos autores presentes na Feira do Livro de Frankfurt desse ano, João Paulo Cuenca é um jovem escritor e cronista brasileiro. Formado em Economia, ele teve seu primeiro romance, “Corpo Presente”, lançado em 2003 pela Editora Planeta e em 2012, foi selecionado como um dos melhores 20 jovens escritores brasileiros pela revista Granta. Cuenca também faz parte dos autores selecionados para a primeira edição da Revista Machado de Assis.

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