O encontro no Brasil com outros tradutores

Com o texto da tradutora e intérprete Tine Lykke Prado, iniciamos a série de publicações sobre as expectativas e experiências dos seis tradutores que participam do Programa de Residência.

O encontro no Brasil com outros tradutores

Traduzir é um trabalho solitário, porém altamente prazeroso. Ser tradutor de literatura brasileira na Dinamarca é ainda mais solitário, porque sou praticamente a única tradutora especializada em literatura brasileira. Trata-se de paixão.

Por isso será um prazer enorme encontrar tradutores de literatura brasileira – e a primeira vez para mim. Este encontro de trocar ideias e experiências se tornará sem dúvida em uma grande inspiração para trabalhos futuros.

Encontrar outros tradutores de literatura brasileira é uma oportunidade única de saber como é a sua recepção em outros países e quais são os autores mais lidos. Imagino que isto varia muito das diferentes partes do mundo. Gostaria de saber como trabalham os meus colegas – se eles também procuram escolher os autores brasileiros que mais apreciam para depois solicitar editoras e eventualmente apoio financeiro. Gostaria de saber também de suas experiências deles e se procuram os autores para tirar dúvidas ou não.

Traduzir literatura brasileira não é pão, mas paixão – na Escandinávia, quando não se fala em literatura popular. E traduzir Clarice Lispector implica isolar-se deliciosamente e se deixar cair num outro mundo na tentativa de entrar no labirinto dela.

É uma bela iniciativa de nos juntar, uma ocasião rara de poder conversar com colegas compartilhando a mesma paixão – a de traduzir literatura brasileira.

Tine Prado

Tine Lykke Prado é tradutora e intérprete. É formada em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília e mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo. Traduziu diversos autores brasileiros, como Clarice Lispector, José Saramago, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, entre outros.

 

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Dia do Tradutor

O Dia dos Tradutores é comemorado mundialmente em 30 de setembro. Nesta data celebra-se a Festa de São Jerônimo (347-420), em homenagem ao sacerdote cristão nascido na Dalmácia, província romana que hoje compreende regiões da Albânia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Sérvia. Estudioso das sagradas escrituras, Jerômino traduziu a Bíblia do grego e do hebraico para o latim. A ideia de comemorar oficialmente a data foi proposta em 1991 pela Federação Internacional dos Tradutores (http://www.fit-ift.org/) com o objetivo de promover internacionalmente a profissão. Compartilhamos o “Viva aos tradutores!” proposto pela Editora LPM (http://www.lpm-blog.com.br/?p=25157) com as palavras de Millôr Fernandes:
Le dernière translation (Homenagem à Sociedade Brasileira de Tradutores):
Quando morre um velho tradutor
Sua alma, anima, soul,
Já livre do cansativo ofício de verter
Vai direta para o céu, in cielo, to the heaven, au ciel, in caelum, zum himmel,
Ou pro inferno, Holle, dos grandes traditori?
Ou um tradutor será considerado
In the minute hierarquia do divino (himm’lisch)
Nem peixe nem água, ni poisson ni l’eau,
Neither water nor fish, nichts, assolutamente niente?
Que irá descobrir de essencial
Esse mero intermediário da semântica
Corretor da Babel universal?
A comunicação definitiva, sem palavras?
Outra vez o verbo inicial?
Saberá, enfim!, se ele fala hebraico
Ou latim?
Ou ficará infinitamente no infinito
Até ouvir a Voz, Voix, Voce, Voice, Stimme, Vox,
Do Supremo Mistério partindo do Além
Voando como um pássarobirduccelopájarovogel
Se dirigindo a ele em…
E lhe dando, afinal,
A tradução para o Amén?
São Jerônimo em seu estúdio -Albrecht Dürer

São Jerônimo em seu estúdio, Albrecht Dürer, 1514.

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Tradutores começam a chegar ao Brasil

Os seis tradutores selecionados pelo edital de 2014 do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil, da Fundação Biblioteca Nacional, começaram a chegar ao País. Até o final da primeira semana de outubro já terão chegado os três primeiros:

- Tine Lykke Prado, vinda da Dinamarca para trabalhar na tradução de Água viva, de Clarice Lispector;

- Petra Petrač, da Croácia, para trabalhar na tradução de O mulato, de Aluísio de Azevedo;

- Luís Aguillar, do México, para trabalhar na tradução de Um estrangeiro na legião, de Roberto Piva.

Entre outubro e novembro será a vez dos outros três:

- Kriton Iliopoulos, vindo da Grécia para trabalhar na tradução de Os Bruzundangas, de Lima Barreto;

- Bárbara Belloc, da Argentina, para trabalhar na tradução dos ensaios de Ferreira Gullar retirados de Argumentação contra a morte da arte e Cultura posta em questão;

- Didier Lamaison, da França, para trabalhar na tradução das cartas de Clarice Lispector contidas em Minhas queridas.

Durante um período mínimo de quatro semanas, os tradutores poderão pesquisar diferentes aspectos das obras que estão traduzindo, dialogar com especialistas, consultar bibliotecas, arquivos e conhecer lugares e pessoas relacionadas ao universo de cada livro.

Os profissionais participarão também de uma programação especial elaborada pelas instituições parceiras da FBN nesse projeto: a Universidade Federal Fluminense; a Casa Guilherme de Almeida – Centro de Estudos de Tradução Literária (Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo / POIESIS), e a Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina.

Em breve, iniciaremos aqui uma série de publicações sobre as expectativas e experiências dos tradutores no Brasil.

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Mesa Redonda “Visões da Grande Guerra de 1914”

Com a participação de Denise Rollemberg, Modesto Florenzano e Renato Lessa, a mesa irá acontecer no dia 18 de setembro às 18:30, no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Não perca!

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Transmissão pela internet:

Instituto Embratel/TVPontoCom: Clique aqui

Rede Nacional de Ensino e Pesquisa:Clique aqui

 

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Mesa de debate “O escritor e seu tradutor”

Com a participação de Paulo Scott, Daniel Hahn e Rachel Bertol, o debate acontecerá dia 07 de agosto às 17 horas, no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Não perca!

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Títulos brasileiros publicados no exterior

Conheça mais alguns livros brasileiros publicados recentemente no exterior com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional. 

Espanhol

El regate

 

Sérgio RodriguesEl regate (O drible), Editorial Anagrama, tradução de Juan Pablo Villalobos. (ESPANHA)

 

 

 

 

 

Francês

Paisagem com dromedário

 

- Carola SaavedraPaysage avec dromadaires               (Paisagem com dromedários), Mercure de France, tradução de Geneviève Leibrich. (FRANÇA)

 

 

A felicidade é fácil

 

Edney SilvestreLe bonheur est facile                                           (A felicidade é fácil), Belfond, tradução de Hubert Tézenas. (FRANÇA)

 

 

 

Inglês

The Mystery of Rio

 

 

- Alberto Mussa, The Mystery of Rio (O senhor do lado esquerdo), Europa Editions, tradução de Alex Ladd.     (ESTADOS UNIDOS)

 

 

Blood Drenched Beard

 

 

Daniel GaleraBlood-Drenched Beard (Barba ensopada de sangue), Hamish Hamilton / Penguin Books,                         tradução de Alison Entrekin. (REINO UNIDO)

 

 

Letters from a seducer

 

 

Hilda HilstLetters from a Seducer (Cartas de um sedutor), Nightboat Books / A Bolha Editora, tradução de John Keene. (ESTADOS UNIDOS)

 

 

Italiano 

La casa degli scampi

- Alberto Mussa, La casa degli scambi (O senhor do lado esquerdo), Edizioni E/O, tradução de Paola Vallerga. (ITÁLIA)

 

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Títulos brasileiros publicados no exterior

Conheça os livros brasileiros publicados recentemente no exterior com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional. Todos foram contemplados pelo Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior.

Alemão:

- Revista Akzente, ano 60, número 5, outubro de 2013, Editora Hanser, Dossiê Carlos Drummond de Andrade (contos), tradução de Wanda Jakob.(ALEMANHA)

- Vários autores, Rio de Janeiro: Eine literarische Einladung (Rio de Janeiro: um convite literário), Editora Wagenbach, organizado por Marco Thomas Bosshard e Marcos Machado Nunes. Coletânea de contos com Adriana Lunardi, Aníbal Machado, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Giannetti, Clarice Lispector, Ferreira Gullar João Antônio, João Gilberto Noll, Luiz Ruffato, Miguel Sanches Neto, Nélida Piñon, Rodrigo Lacerda, Sérgio Sant’Anna, Sonia Coutinho, Vinícius Jatobá. Tradução de Christoph Joaquim Kaiser, Dirk Brunke, Enno Pattermann, Eva Zimmermann, Inés Koebel, Inga Hennecke, Jan Steinbach, Julian Brock, Karin von Schweder-Schreiner, Michael Kegler, Philipp Kampschroer, Sarah Gieseker, Sarita Brandt, Stefanie Zobus e Wanda Jakob. (ALEMANHA)

Espanhol:

- Ricardo Lísias, El libro de los mandarines (O livro dos mandarins), Editora Adriana Hidalgo, tradução de Cristian de Napoli. (ARGENTINA)

- Lima Barreto, El Cementerio de los Vivos (O cemitério dos vivos), Editora Ambulantes, tradução de Vítor David López e Aline Pereira da Encarnação. (ESPANHA)

- Ricardo Corona, Cuerpo sutil (Corpo sutil), Editora Calygramma, tradução de Vitor Sosa. (MÉXICO)

- Claudio Daniel, Yume (Yumê), Editora Calygramma, tradução de Vitor Sosa. (MÉXICO)

- Basílio da Gama, El Uraguay (O Uraguai), Editora Calygramma, tradução de Román Antopolsky, (MÉXICO)

- Lêdo Ivo: La muerte de Brasil (A morte do Brasil), Editora Vaso Roto, tradução de Ángel José Alonso Menéndez.(ESPANHA)

- Antônio Moura, Rio Silêncio (Río Silêncio), Editora Calygramma, tradução de Vitor Sosa, (MÉXICO)

- Terezinha Azerêdo Rios, Ética y competência (Ética e Competência), Editora Octraedo, tradução de Bertarn Romero. (ESPANHA)

- Marcos Siscar, La mitad del arte (A metade da arte),Editora Kriller71,  tradução de  Aníbal Cristobo (ESPANHA)

- Érico Verissimo, El tiempo y el viento – El retrato (O tempo e o vento – O retrato ) Editora Machado Libros, tradução de Pere Comellas Casanova. (ESPANHA)

Chinês:

- José Mauro de Vasconcellos, Doidão e Vamos aquecer o Sol, Editora People’s Literature Publishing, tradução de Li Jinchuan e Wei Ling. Publicação em volume único acrescido da reedição de Meu pé de laranja-lima. (CHINA)

Inglês:

-Edgard Telles Ribeiro, His own man (O punho e a renda, Editora Scribe, tradução de Kim. M. Hastings. (AUSTRÁLIA)

- Rogério Duarte, Marginália 1 (ensaios, artigos e poemas), Editora Bom Boa Tarde Boa Noite, tradução de Adriana Francisco, Kiki Mazzuchelli, Moray Mckie e Mary Ellen Stitt.(ALEMANHA)

- Rubem Fonseca, Crimes of August (Agosto), Editora Tagus Press, tradução de Clifford E. Landers. (ESTADOS UNIDOS)

- Michel Laub, Diary of the Fall (Diário da Queda), Editora Harvill Secker, tradução de Margaret Jull Costa. (REINO UNIDO)

- Diogo Mainardi, The Fall – A fathers’s memoir in 424 steps (A queda) Editora Harvill Secker, tradução de Margaret Jull Costa. (REINO UNIDO)

Francês:

- João Paulo Cuenca, La seule fin heureuse pour une histoire d’amor, c’est un accident (O único final feliz para uma história de amor é um acidente), Editora Cambourakis, tradução de Dominique Nédellec.(FRANÇA)

- Lygia Bojunga, Nous Trois (Nós três), Editora Kanjil, tradução de Noémi Kopp-Tanaka. (FRANÇA)

- Lygia Bojunga, Tous em scéne pour Angélique (Angélica), Editora Kanjil, tradução de Noémi Kopp-Tanaka. (FRANÇA)

- Astrid Cabral, Allée (Alameda), Editora Les Arêtes, tradução de Astrid Cabral e Sandrine Pot. (FRANÇA)

-Luis Fernando Verissimo, Les espions (Os espiões), Editora Folie D’encre, tradução de Philippe Poncet. (FRANÇA)

- Carola Saavedra, Paysage avec dromedaires (Paisagem com dromedários), Editora Mercure de France, tradução de Geneviève Leibrich.

-Wellington Srbek e Flavio Colin, Le brigand du Sertão (Estórias Gerais) Editora Sarbacane, tradução de Fernando Scheibe e Philippe Poncet. (FRANÇA)

Hebraico: Michel Laub, Diário da Queda, Editora Modan (ISRAEL)

Italiano: Lima Barreto, Nella terra di Bruzundanga (Os Bruzundangas), Editora Arcoiris, tradução de Jessica Falconi. (ITÁLIA)

Ucraniano: Bernardo Sorj e Danilo Martuccelli, Desafio Latino-americano – Coesão social e democracia, Editora Calvaria,tradução de Taras Tsymbal. (UCRÂNIA)

Vietnamita: Antônio Torres, Essa Terra, Editora Literature Publishing House, tradução de Hieu Constant. (VIETNÃ)

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Inscrições abertas para a Escola de Inverno de Tradução Literária

O British Council, em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, a Universidade Federal Fluminense e o British Centre for Literary Translation, com o apoio do Arts Council England, tem o prazer de anunciar a abertura das inscrições para a Escola de Inverno de Tradução Literária, que acontece em Paraty (RJ) de 21 a 29 de julho de 2014, antecedendo a abertura da FLIP.

A Escola de Inverno oferecerá a doze tradutores literários em início ou meio de carreira, selecionados no Brasil e no Reino Unido, a oportunidade de discutir e trabalhar de maneira intensiva sobre os desafios de tradução do português para o inglês e do inglês para o português. Serão sete dias de trabalho em cima de textos literários definidos previamente.

PROGRAMAÇÃO

Durante os workshops da manhã, os participantes trabalharão a partir da obra de dois autores, que estarão presentes durante todo o período da Escola de Inverno: o pernambucano José Luiz Passos, autor de O Sonâmbulo Amador (Alfaguara), vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2013; e o britânico Sam Byers, autor de Idiopathy (Fourth Estate) e eleito pela Granta um dos vinte melhores escritores britânicos da última década. Os tradutores irão explorar, de maneira aprofundada, todos os elementos do texto e discutir com os escritores quaisquer questões que possam surgir, desde contextos culturais e históricos, passando por temas linguísticos, até o uso de vírgulas.

Durante os workshops da tarde, os participantes terão a oportunidade de compartilhar as suas próprias traduções em progresso com seus colegas tradutores, explorando questões particulares dentro dos textos e debatendo soluções.

Nos dois períodos, o programa contará com a participação de professores de tradução literária da Universidade Federal Fluminense e com a coordenação de dois experientes tradutores literários: Paulo Henriques Britto, tradutor, poeta e professor da PUC, e Daniel Hahn, tradutor e diretor do British Centre for Literary Translation, em Norwich, no Reino Unido.

Ao final dos sete dias de trabalho, os participantes poderão discutir temas relevantes para o ofício da tradução literária no IV Colóquio Intermediações Culturais, organizado pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Universidade Federal Fluminense, de 27 a 29 de julho, também em Paraty.

INSCRIÇÕES

Profissionais de tradução literária inglês-português e/ou português-inglês, em início ou meio de carreira, estão convidados a se candidatarem no período de 17 de abril a 23 de maio de 2014. Os candidatos devem preencher o formulário de inscrição online, pelo qual deverão fornecer também um CV e uma tradução – texto original e traduzido, totalizando no máximo 4.000 palavras – que gostariam de discutir durante a semana em Paraty.

Os participantes serão selecionados por uma comissão de representantes do British Council, BCLT, Fundação Biblioteca Nacional e Universidade Federal Fluminense. A comissão irá considerar a experiência anterior dos candidatos em tradução literária, sua contribuição para o programa e os benefícios que eles poderão receber com a participação na Escola de Inverno. O resultado da seleção será anunciado até 5 de junho de 2014 no site do British Council Transform.

Os participantes selecionados terão suas passagens aéreas, transporte, acomodação e alimentação em Paraty custeados durante todo o período em que durar o workshop – de 21 a 29 de julho.

Escola de Inverno de Tradução Literária
Inscrições: de 17 de abril a 23 de maio de 2014
Para se candidatar, preencha o formulário de inscrição.
Data do curso: de 21 a 27 de julho de 2014
Local: Paraty, RJ, Brasil

IV Colóquio Intermediações Culturais
Data: de 27 a 29 de julho de 2014
Local: Paraty, RJ, Brasil

 

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A HQ ‘Estórias gerais’ ganha edição francesa

Autor e tradutores falam sobre o processo de tradução

A editora Sarbacane lançou recentemente o álbum Le Brigand du Sertão, edição francesa da HQ brasileira Estórias gerais, de Wellington Srbek e Flavio Colin (Editora Nemo, 2012). A obra ganhou o Troféu HQ MIX nas categorias “Melhor Graphic Novel”e “Melhor Roteirista Nacional” e o Prêmio Angelo Agostini de melhor roteirista e melhor desenhista.

O roteirista Wellington Srbek nos concedeu uma entrevista em que fala sobre as características que levaram o livro a ocupar um lugar de destaque no cenário nacional, sua participação na tradução e também sobre como é para ele a experiência de chegar até os leitores franceses. O desenhista Flavio Colin, referência dos quadrinhos nacionais, faleceu em agosto de 2002.

FBN: A HQ Estórias gerais é considerada um clássico brasileiro, recebeu ótimas críticas e ganhou vários prêmios. O que, para você, é responsável por alçar o livro a esse posto?

Wellington Srbek:Acredito que o reconhecimento e sucesso da HQ se devem realmente à sua qualidade. Ao meu roteiro original e aos desenhos marcantes de Flavio Colin, que têm conquistado os leitores desde a edição independente em 2001.

FBN: O livro é ambientado no sertão mineiro no início do século XX. O tema não é muito recorrente nas HQs.  O que o levou a escolher esse eixo temático?

WS: Sou de Minas Gerais e sou formado em História. Embora tenha nascido na capital, o ambiente do interior e a cultura popular sempre me interessaram criativamente. Temos na HQ o jornalista Ulisses Araújo que faz uma viagem de descoberta e apaixonamento por aquele Brasil interior, tão rico natural e culturalmente, mas também tão esquecido. Então, em parte, “Estórias Gerais” reflete minha própria travessia pessoal, de alguém que nasceu numa cidade grande, mas que descobriu e se apaixonou pelas maravilhas de um Brasil mais antigo e talvez mais autêntico.

FBN: A edição francesa vai fazer o livro atingir um público diferente. O que você espera dessa experiência?

WS: O simples fato de ter o álbum publicado em outro país já é uma alegria em si. Poder chegar a mais e mais leitores é a vocação de toda obra, e como consideram “Estórias Gerais” uma grande HQ, “um clássico de nossos quadrinhos”, é ótimo poder compartilhá-la com leitores de outros países!

FBN: Como foi sua relação com os tradutores? De alguma maneira você se envolveu no processo de tradução?

WS: Apenas prestando consultoria em casos bem específicos, de algumas expressões que têm propositalmente sentido duplo no original, mas que precisavam de uma definição específica para a tradução em francês. Mas foram poucos casos, e não participei da tradução.

Os tradutores Fernando Scheibe e Philippe Poncet deram um depoimento a respeito do processo de tradução. Fernando conta que fazia os primeiros “jatos de tradução” para o francês e Philippe trabalhava em cima desse texto, já traduzido, refinando a tradução inicial.

Os dois ficaram muito satisfeitos com o resultado final, além disso, acharam a experiência de trabalhar com um texto que reflete tantos aspectos da cultura brasileira, incrível. O cuidado com que trataram a história enquanto traduziam fez com que a voz da narrativa original se mantivesse presente na edição francesa.

Brigand du Sertão

Fernando Scheibe, tradutor brasileiro:

“Para mim, o processo de tradução de Estórias Gerais foi riquíssimo, principalmente por dois motivos: em primeiro lugar, a excelente qualidade do texto do Wellington, ágil, saboroso, inteligente e comovente, criando, articulado com a narrativa visual do grande Flávio Colin, uma estória, ou um feixe de estórias, fascinante; em segundo lugar, pela parceria que estabeleci com Philippe Poncet: tenho que admitir, o grande responsável pela qualidade do texto em francês.

“De certa forma, minha maior responsabilidade foi a de garantir a exatidão da exegese do texto original. O que, justamente, é mais fácil para um leitor brasileiro, acostumado a falar, ouvir, e ler Ramos e Rosas e Regos… Então eu fazia um primeiro jato da tradução, vertendo quase que literalmente o texto para o francês. Aí era a vez do Phil: ele é que transformava todo aquele carbono em diamante, dando esse salto de recriar aquilo num francês tão ágil, saboroso, inteligente e comovente quanto o português do original.

“Modéstia à parte (mas, na verdade, minha parte é modesta), acho que o resultado ficou muito bom. O leitor francês pode agora ter acesso a essa estória que além de comover põe em cena aspectos importantes de nossa história: as contradições, a beleza e a violência, de um Brasil profundo; o papel do ‘homem de letras’ (o personagem-narrador Ulysses é uma espécie de Euclides da Cunha que se dá conta da barbárie da ‘civilização’ e da cultura da ‘barbárie’); e assim por diante.

Em suma, foi bárbaro.”

Philippe Poncet, tradutor francês:

“Detalhe: quem me convidou para ser parceiro-tradutor foi o Fernando. Nos encontramos em junho de 2013 em Paraty, sob auspícios da Fundação Biblioteca Nacional e da Universidade Federal Fluminense, por ocasião de um encontro entre tradutores brasileiros e franceses. O Fernando, já contratado para ser o tradutor da HQ brasileira Estórias Gerais queria trabalhar conjuntamente com um tradutor francês (ou seja do português para o francês). Não demorei para topar! Sempre me interessei pela evolução do gênero HQ no Brasil (desde a ‘velha guarda’ do Pasquim até os desenhistas de hoje – Allan Sieber, André Dahmer, Chiquinha e…muitos outros). Uma tradução a quatro mãos para um ‘romance gráfico’ tão relevante como Estórias Gerais era uma perspectiva tão sedutora quanto inesperada.

“Devo dizer logo que discordo absolutamente do Fernando quando ele pretende, com sua modéstia habitual, que eu fui o ‘grande responsável pela qualidade do texto francês’. Ele fez o trabalho mais difícil, além de frustrante, que consistia em localizar e “desminar”, no texto, numerosas armadilhas e dificuldades. Nosso método? Simples: Fernando me mandava um primeiro jato da tradução em francês, eu fazendo depois minhas correções. Afinal, confesso que eu fui mais revisor do que tradutor. Existe uma pessoa mais chata do que um maldito revisor? Sabe, aquele cara que olha para teu trabalho e vem te dizer tipo assim: ‘parabéns, meu filho! Grande trabalho. No entanto, acho que isso e aquilo poderia ser traduzido de outra forma… Ainda bem que o Fernando mora em Florianópolis e eu em Natal (RN)! Brincadeira, é claro. O Fernando Scheibe tem a classe dos grandes tradutores: é da paz. Mas, cuidado, com ele você tem que ser tão convincente quanto esperto, pra ficar à altura.

“Eu lembro que estava meio obcecado pelo número de palavras que deviam caber… nos balões! Isso, acho eu, é a dificuldade maior na tradução de uma HQ. Você tem uma limitação absoluta: o tamanho do balão. Sobre o assunto, Fernando é que sabe melhor do que eu: ele cometeu numerosas traduções de vários mestres da Bande dessinée francesa.

“Devo dizer logo que concordo absolutamente com o parceiro. Acho que o resultado final foi bom. Mas como saber? Fernando: eu te pago um champagne Moët & Chandon quando alcançarmos a vigésima reimpressão do Brigand do Sertão! Estou exagerando? Tudo bem, vamos dizer a partir da segunda reimpressão…Um brinde para você, eu, e os leitores.”

 

 

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Inscrições abertas para o Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros 2014

A Fundação Biblioteca Nacional lançou um novo edital do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil.

Até 26 de maio, tradutores estrangeiros que estejam realizando a tradução de um livro brasileiro podem se candidatar a receber uma bolsa para residência de trabalho e intercâmbio de no mínimo quatro semanas no Brasil, entre 1º de agosto e 15 de novembro de 2014.

Acompanhe as notícias sobre o Programa de Residência aqui e no Portal FBN: http://www.bn.br.

Edital ; Formulário de inscrição

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